O rapper e activista angolano MCK, nome artístico de Katrogi Nhanga Lwamba, considera que o Governo angolano tem invertido os valores e questiona a seriedade das políticas de combate à corrupção no país.
Em entrevista ao jornalista Jubileu, da TV Maiombe, o músico afirmou que os artistas que denunciam práticas de corrupção em Angola não recebem o reconhecimento que, na sua opinião, mereceriam, ao contrário do que acontece noutros países.
Para ilustrar a sua posição, comparou a trajectória do rapper norte-americano Kendrick Lamar, distinguido nos Estados Unidos da América por abordar questões relacionadas com o racismo, com a realidade angolana, questionando o que recebe um artista que utiliza a música para denunciar a corrupção no país.
MCK defendeu que o movimento hip-hop angolano denuncia esquemas de corrupção e abusos de poder há vários anos, muito antes do actual ciclo de governação. Nesse sentido, destacou trabalhos seus e de outros artistas, como os Filhos da Leste, Ikonoklasta, Carbono e Terceira Divisão.
Na entrevista, o rapper criticou igualmente a presença, em campanhas de combate à corrupção, de artistas que, segundo afirmou, terão beneficiado de recursos provenientes de esquemas dessa natureza.
Na sua avaliação, o combate à corrupção em Angola constitui uma “mera farsa” e uma manobra de distracção, por não envolver, de forma abrangente, personalidades e sectores da sociedade que considera terem contribuído para denunciar práticas lesivas ao interesse público.
Como exemplo, apontou activistas cívicos, jornalistas de investigação, entidades religiosas, autoridades tradicionais e líderes comunitários, defendendo que essas figuras deveriam ser ouvidas num conselho de combate à corrupção que fosse sério, transversal e não selectivo.
MCK considera ainda que jornalistas e activistas que denunciaram casos de corrupção, incompetência governativa e outros escândalos deveriam ter um papel relevante na definição das estratégias de prevenção e combate a esses fenómenos.
