Adalberto Costa Júnior propõe refinarias modulares para aumentar a capacidade de processamento de petróleo em Angola, reduzir a dependência da importação de combustíveis e promover a criação de empregos, sobretudo entre os jovens.
Numa publicação divulgada na sua página oficial do Facebook, o presidente da UNITA manifestou preocupação com as dificuldades de abastecimento de gasolina e gasóleo registadas em diferentes regiões do país, considerando que a situação compromete as actividades económicas e agrava as condições de vida das populações.
O dirigente destacou os constrangimentos enfrentados por transportadores, agricultores e comerciantes, que dependem do fornecimento regular de combustíveis para desenvolver as suas actividades.
Segundo o político, a insuficiência de produtos petrolíferos no mercado interno contribui para o aumento dos custos de transporte e pode influenciar os preços dos bens essenciais.
Adalberto Costa Júnior propõe refinarias modulares em diferentes regiões
O líder da UNITA defende a instalação de unidades de refinação de médio porte, distribuídas pelo Norte, Nordeste, Leste, Sudeste e Sul do território nacional, com o objectivo de aproximar a produção dos centros de consumo.
De acordo com as estimativas apresentadas pelo dirigente, uma refinaria modular com capacidade de processamento de 10 mil barris de petróleo por dia poderá custar entre 80 e 100 milhões de dólares.
O responsável aponta ainda um período de construção de 12 a 18 meses, considerando que estas unidades poderão representar uma alternativa complementar aos grandes projectos de refinação.
Os valores apresentados constituem estimativas da proposta política e dependerão de estudos de viabilidade, condições logísticas, características técnicas e mecanismos de financiamento.
A proposta apresentada pelo presidente do maior partido da oposição assenta em cinco prioridades destinadas a reforçar a transformação do petróleo no território nacional.
A primeira consiste no aumento da capacidade de refinação, através da instalação de unidades industriais de diferentes dimensões, de acordo com as necessidades económicas e logísticas de cada região.
A segunda prevê maior abertura do sector à iniciativa privada, permitindo a participação de empresários angolanos e investidores internacionais em projectos de produção e distribuição de combustíveis.
A criação de emprego para a juventude constitui a terceira prioridade, através da formação de profissionais nas áreas da engenharia, mecânica, electricidade, química e operação industrial.
A quarta medida contempla a transformação de Angola num centro regional de abastecimento de derivados de petróleo, aproveitando os portos, caminhos-de-ferro e corredores logísticos para alcançar mercados como a República Democrática do Congo, Zâmbia, Namíbia e Botswana.
Por último, o dirigente defende a redução gradual da dependência dos subsídios generalizados aos combustíveis, acompanhada de mecanismos de protecção das famílias economicamente mais vulneráveis.
Desemprego juvenil e subsídios aos combustíveis preocupam dirigente
Na sua abordagem, Adalberto Costa Júnior relacionou a necessidade de industrialização com os níveis de desemprego juvenil e os encargos financeiros associados à importação e comercialização de combustíveis.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos atingiu 40,5% no segundo trimestre de 2026.
Relativamente aos subsídios aos combustíveis, o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, indicou que a despesa poderá atingir entre 3,7 e 3,8 biliões de kwanzas em 2026, acima dos 1,7 biliões inicialmente previstos.
O presidente da UNITA considera que o investimento em infra-estruturas de refinação poderá contribuir para a criação de empregos técnicos, o desenvolvimento de empresas locais e a diversificação da economia.
Angola dispõe de capacidade de processamento de petróleo na Refinaria de Luanda e na Refinaria de Cabinda, cuja primeira fase possui capacidade instalada de 30 mil barris por dia.
