Congresso do MPLA 2026: SJA condena exigência do número do CAP a jornalistas

O congresso do MPLA, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda, está a suscitar críticas devido à inclusão de um campo destinado ao número do Comité de Acção do Partido (CAP) no formulário de acreditação dos jornalistas.

Segundo o Novo Jornal, a exigência está a preocupar profissionais da comunicação social e foi condenada pelo Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), que considera inadequada a solicitação de informações associadas à militância partidária.

A medida representa uma alteração em relação aos procedimentos adoptados nos congressos anteriores, nos quais os órgãos de comunicação social indicavam os profissionais responsáveis pela cobertura, mediante a apresentação de documentos de identificação e fotografias.

Congresso do MPLA: jornalistas receiam dificuldades na acreditação

De acordo com a mesma fonte, vários profissionais estão a deixar em branco o campo referente ao número do CAP, por considerarem que a informação não está relacionada com o exercício da actividade jornalística.

Apesar disso, existe o receio de que a ausência desse dado possa comprometer a emissão das respectivas credenciais.

A reportagem não esclarece se o preenchimento do campo constitui uma condição obrigatória para a acreditação.

O secretário-geral do SJA, Pedro Miguel, criticou a inclusão do número do CAP no processo de acreditação, considerando que os partidos políticos não devem exigir identificação de militância aos profissionais encarregados de acompanhar as suas actividades.

Segundo o responsável sindical, a exigência contraria os princípios éticos associados ao exercício independente do jornalismo.

Pedro Miguel defendeu que os profissionais não devem preencher o campo referente à militância partidária, por entender que essa informação não constitui um requisito legítimo para o desempenho das suas funções.

O dirigente recordou ainda que o exercício de militância partidária activa e a ocupação de cargos de direcção partidária são incompatíveis com a actividade jornalística, nos termos da interpretação defendida pelo sindicato.

A controvérsia em torno do processo de acreditação levanta questões sobre as condições de acesso dos profissionais da comunicação social à cobertura de actividades político-partidárias.

Permanece por esclarecer se a indicação do número do CAP será efectivamente exigida para a emissão de credenciais ou se corresponde apenas a um campo facultativo do formulário.

Prefira o Hold On Angola no Google

Licença: Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)
Os conteúdos editoriais abrangidos por esta política podem ser republicados gratuitamente, desde que sejam respeitadas as condições de atribuição.

Artigos Relacionados

A carregar artigos relacionados...