A organização não governamental Minuto Verde considerou, neste Domingo (4), em Luanda, que o ano de 2025 foi marcado por uma “consolidação política e afirmação internacional” de Angola no domínio ambiental, embora defenda a urgência de traduzir os discursos em acções práticas com impacto direto nas comunidades.
Num balanço analítico sobre a situação ambiental do país, a que o Hold On Angola teve acesso, a organização destaca que 2025 evidenciou uma centralidade inédita das questões climáticas e da biodiversidade na agenda pública nacional e internacional.
De acordo com o documento assinado pelo presidente da organização, Rafael Lucas, o Executivo angolano registou progressos significativos no reforço do quadro político-estratégico, com destaque para a aprovação das estratégias nacionais de biodiversidade para o período 2025–2030 e o alinhamento com o Acordo de Paris.
A “Minuto Verde” realça o papel da diplomacia ambiental angolana, notando que a participação activa do país nas Conferências das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP) e noutros fóruns multilaterais permitiu a Angola afirmar-se como uma voz relevante na defesa dos interesses dos países em desenvolvimento e das nações africanas vulneráveis.
No plano interno, a ONG aponta o crescimento do debate sobre a economia circular e a realização de fóruns dedicados à reciclagem e reutilização de resíduos como indicadores positivos de uma mudança de paradigma no consumo e produção.
Contudo, o balanço adverte para a persistência de “limitações estruturais”. A organização identifica como principais recuos a continuidade de práticas nocivas, como as queimadas descontroladas, a desflorestação e a insuficiência de fiscalização ambiental ao nível dos municípios e comunas.
“A evolução estratégica revelou-se, em vários contextos, desalinhada com a realidade no terreno”, lê-se no relatório, que aponta ainda a vulnerabilidade das comunidades com fraco acesso ao saneamento básico e à água potável como um entrave à sustentabilidade.
Perspectivas para 2026
Para o ano de 2026, a “Minuto Verde” recomenda ao Executivo a institucionalização de programas permanentes de educação ambiental e a capacitação técnica e financeira das administrações locais para uma governação ambiental mais eficaz.
A organização defende igualmente a criação de mecanismos formais de consulta que permitam à sociedade civil participar activamente na monitorização das políticas públicas, garantindo que os benefícios da cooperação internacional cheguem, efectivamente, às populações mais desfavorecidas.
Fundada na defesa do ambiente e do desenvolvimento sustentável, a Minuto Verde reafirma o seu compromisso em colaborar com as instituições do Estado para converter os actuais marcos normativos em ganhos tangíveis para o ecossistema angolano.
