Conceição Lima inspira colectânea sobre memória, identidade e história africana

A obra poética de Conceição Lima, marcada pela memória histórica, pela identidade e pela relação entre São Tomé e Príncipe e o continente africano, está no centro da colectânea Quando o Micondó da Casa Florir no País – Escritos sobre Conceição Lima, organizada por Inocência Mata e apresentada no dia 30 de Outubro, no auditório da UCCLA.

Publicada pela editora Rosa de Porcelana, a obra reúne ensaios, textos inéditos e testemunhos que apresentam diferentes perspectivas sobre a escrita da poeta são-tomense e a forma como a sua poesia estabelece ligações entre memória, comunidade, identidade e história.

A apresentação contou com intervenções da escritora e investigadora Ana Paula Tavares e do escritor Filinto Elísio, tendo sido igualmente transmitida através da página oficial da UCCLA no Facebook.

Na sua análise, Ana Paula Tavares destacou a organização dos textos e a diversidade de abordagens propostas pela colectânea, considerando que a leitura da obra de Conceição Lima exige uma compreensão da relação entre memória, comunidade e imaginação.

A investigadora chamou a atenção para a presença da história de São Tomé e Príncipe nos poemas da autora, particularmente nos temas do povoamento, da escravização, das roças, do trabalho forçado, dos movimentos populacionais e da perda.

Segundo a sua leitura, a poesia de Conceição Lima permite revisitar os espaços das ilhas não apenas como lugares de memória, mas também como territórios marcados pela dor e pelo trauma histórico. A relação entre o mar, o continente e a construção da identidade constitui igualmente uma das dimensões abordadas nos textos reunidos.

Ana Paula Tavares sublinhou ainda que a obra poética da autora não se esgota numa primeira leitura, exigindo novas interpretações e atenção à linguagem, à história e às experiências que atravessam os seus poemas.

Durante a sessão, foi também destacada a dimensão literária da produção de Conceição Lima, cuja escrita tem sido objecto de estudos e traduções para diferentes línguas.

Uma colectânea de diferentes olhares

Na intervenção de abertura, a representação da editora Rosa de Porcelana reconheceu o contributo dos participantes que colaboraram com artigos e testemunhos, considerando que a diversidade de perspectivas faz da colectânea uma edição de carácter crítico.

A sessão destacou igualmente o trabalho de Ismael Soqueira, responsável pela pintura da capa e pela arte dos separadores do livro. Foram ainda reconhecidos os apoios da Câmara Municipal de Oeiras e do Governo Regional do Príncipe, entre outras entidades mencionadas durante a apresentação.

Na sua intervenção, Inocência Mata agradeceu aos participantes, à editora e às instituições que contribuíram para a concretização do projecto. A organizadora recordou também o percurso de preparação da colectânea e explicou que a obra já tinha sido lançada anteriormente em São Tomé e Príncipe, onde exemplares foram disponibilizados gratuitamente.

O percurso de Conceição Lima

Nascida a 8 de Dezembro de 1961, em Santana, São Tomé e Príncipe, Conceição Lima começou a escrever poesia ainda jovem. No início da década de 1980, estudou jornalismo em Portugal e, posteriormente, trabalhou em órgãos de comunicação social são-tomenses, incluindo os jornais Revolução e Notícias, além da Rádio Nacional.

A sua produção literária aborda temas ligados à história, à memória, à identidade, à ancestralidade e à realidade social do arquipélago, estabelecendo também relações com outras geografias e experiências africanas.

Com a publicação de Quando o Micondó da Casa Florir no País – Escritos sobre Conceição Lima, os diferentes autores e investigadores participantes propõem novas leituras sobre uma obra poética que continua a suscitar reflexão sobre a história, a identidade e a experiência africana.

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