EUA exigem caução até 15 mil dólares para vistos de Angola e Cabo Verde

O Governo dos Estados Unidos da América decidiu incluir Angola e Cabo Verde na lista de países cujos cidadãos passam a estar sujeitos ao pagamento de uma caução para a obtenção de vistos de negócios ou turismo (B1/B2). A medida entra em vigor a partir de 21 de janeiro e foi anunciada pela administração norte-americana através das páginas oficiais do Departamento de Estado.

Com esta decisão, Angola e Cabo Verde juntam-se a um grupo que passa a integrar 38 países, entre os quais já constavam Guiné-Bissau, desde 1 de janeiro, e São Tomé e Príncipe, incluído em outubro de 2025. A caução exigida pode variar entre cinco mil e 15 mil dólares norte-americanos, valor que será definido por um funcionário consular no momento da entrevista.

De acordo com as autoridades norte-americanas, a caução será reembolsada caso o titular do visto cumpra todas as condições impostas, nomeadamente a saída dos Estados Unidos dentro do período autorizado. Em caso de recusa do visto, o montante pago também será devolvido. No entanto, o pagamento não garante, por si só, a concessão do visto.

No caso de Cabo Verde, a medida surge num contexto sensível, tendo em conta a forte ligação histórica e migratória com os Estados Unidos, que acolhem uma das maiores comunidades cabo-verdianas no exterior. Este ano, o arquipélago prepara-se ainda para participar pela primeira vez num Campeonato do Mundo de futebol em solo norte-americano, facto que aumenta a atenção sobre as novas exigências.

As autoridades norte-americanas justificam a introdução das cauções como uma forma de reduzir a permanência irregular de estrangeiros no país, defendendo que o mecanismo incentiva o cumprimento das regras migratórias. A decisão insere-se numa estratégia mais ampla da administração do Presidente Donald Trump de endurecimento dos requisitos de entrada nos EUA, que inclui entrevistas presenciais obrigatórias para todos os cidadãos sujeitos a visto.

Os vistos B1/B2 já emitidos antes da entrada em vigor da nova regra mantêm-se válidos, segundo esclareceu a embaixada dos Estados Unidos em Cabo Verde. Ainda assim, a medida poderá ter impacto significativo em países como Angola, onde os Estados Unidos são um destino frequente para viagens de negócios, turismo, estudos e contactos familiares.

Analistas consideram que o reforço das exigências poderá dificultar a mobilidade de cidadãos africanos, ao mesmo tempo que levanta questões sobre o equilíbrio entre segurança migratória e facilitação de fluxos legítimos de viagem.

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