Angola conta com mais de dois milhões de viaturas, das quais apenas cerca de 366 mil dispõem de seguro válido, situação que leva o Executivo a defender o reforço do cumprimento dos seguros obrigatórios no país.
A preocupação foi manifestada sexta-feira, 23 de Outubro, pelo secretário de Estado para os Assuntos Tributários, José Leiria, durante a abertura do XI Fórum Seguros do Jornal Expansão, subordinado ao tema “O Papel dos Seguros Obrigatórios e da Resseguradora Nacional”.
Na ocasião, o responsável destacou a importância do seguro automóvel e do seguro de acidentes de trabalho para a protecção dos cidadãos, das famílias e das empresas, defendendo maior fiscalização e a simplificação dos procedimentos de contratação.
No sector empresarial, apenas 5,54% das empresas activas possuem seguro de acidentes de trabalho, um indicador que, segundo os dados apresentados no encontro, demonstra a necessidade de alargar a cobertura dos seguros obrigatórios.
Apesar dos desafios, o sector segurador registou, no primeiro semestre de 2026, uma produção de cerca de 329 mil milhões de kwanzas, representando um crescimento de 24,34% em relação ao período homólogo. O ramo automóvel cresceu 30%, enquanto o seguro de acidentes de trabalho aumentou 4,39%.
Para inverter o actual quadro, o Executivo está a preparar a Estratégia Nacional dos Seguros Obrigatórios, que prevê, até 2029, elevar a penetração do seguro automóvel obrigatório de 18% para 25% e aumentar a cobertura do seguro de acidentes de trabalho de 5,54% para 9%.
José Leiria defendeu ainda o desenvolvimento da capacidade nacional de resseguro, com o objectivo de reter mais recursos financeiros no país e reduzir a saída de divisas. Neste âmbito, destacou a entrada em actividade da Mulemba Re, primeira resseguradora de direito angolano, licenciada pela Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG).
O XI Fórum Seguros reuniu responsáveis de instituições públicas e privadas e operadores do mercado para debater os desafios dos seguros obrigatórios e o papel do resseguro no desenvolvimento da economia angolana.
