O ambientalista Rafael Lucas defendeu maior investimento em políticas de prevenção, saneamento básico e fiscalização ambiental, na sequência de uma investigação preliminar que detectou elevadas concentrações de fezes na Baía de Luanda, após alterações anormais na coloração da água e o aparecimento de peixes mortos, observados a 25 de Setembro.
Em declarações à Rádio NXFM, o ambientalista considerou que a protecção dos ecossistemas marinhos exige intervenções contínuas e não apenas respostas pontuais perante situações de emergência.
Segundo Rafael Lucas, o Executivo deve reforçar os programas de prevenção para evitar a repetição de episódios que contribuem para a degradação dos ecossistemas marinhos.
O ambientalista apontou igualmente a necessidade de investir na formação das comunidades e em programas de literacia ambiental, de modo a aumentar o conhecimento sobre os riscos associados ao descarte inadequado de resíduos.
Para o responsável, a sensibilização da população pode contribuir para melhorar as decisões individuais e colectivas relacionadas com a protecção do ambiente.
Reforço do saneamento e controlo da poluição
Relativamente à situação da Baía de Luanda, Rafael Lucas defendeu o reforço da monitorização da qualidade da água e a adopção de medidas preventivas para salvaguardar a saúde pública e preservar o equilíbrio ecológico.
Entre as medidas apontadas estão a melhoria do saneamento básico, o tratamento adequado das águas residuais, a fiscalização das descargas poluentes e a gestão correcta dos resíduos sólidos.
O ambientalista considerou ainda necessário reforçar os mecanismos de fiscalização e aplicar medidas sancionatórias, incluindo multas ou advertências, aos responsáveis por infracções ambientais, nos termos da legislação aplicável.
Na sua perspectiva, a prevenção e o controlo das fontes de poluição devem constituir prioridades permanentes na gestão ambiental, particularmente nas zonas costeiras.
Organizações pedem confirmação laboratorial
A investigação preliminar foi realizada pela EcoAngola e pelos Guardiões da Costa Uangolê, na sequência das alterações observadas na água da Baía de Luanda e da presença de peixes mortos.
De acordo com as informações divulgadas, o estudo procurou identificar possíveis causas dos fenómenos e avaliar as preocupações relacionadas com a qualidade da água e a preservação do ambiente marinho.
Apesar dos resultados obtidos, as duas organizações reconheceram limitações analíticas e defenderam a realização de novas análises laboratoriais para confirmar os dados.
As entidades consideram igualmente importante que os resultados sejam verificados por um laboratório acreditado, de acordo com a norma ISO/IEC 17025:2017, para garantir maior fiabilidade científica na avaliação dos possíveis riscos ambientais e para a saúde pública.
A situação volta a colocar em evidência os desafios da gestão ambiental em Angola, sobretudo no domínio do saneamento, do tratamento de águas residuais, da fiscalização das fontes de poluição e da protecção dos ecossistemas marinhos.
