Angola 2035: representante adjunto da UNITA em França questiona transparência das receitas do Corredor do Lobito

A defesa do Corredor do Lobito como instrumento de desenvolvimento económico e criação de riqueza para Angola foi acompanhada de questionamentos sobre a distribuição dos seus benefícios, durante um colóquio realizado na HEC Paris, em França.

A embaixadora de Angola em França, Guilhermina Prata, defendeu que o impacto do projecto não deve ser medido apenas pelo volume de mercadorias transportadas, mas sobretudo pelo valor acrescentado que permanece no país e pelas oportunidades criadas para a população.

A diplomata apresentou esta posição no colóquio “Angola 2035: Potência Regional, Soberania Estratégica e Novas Oportunidades na África Austral“, onde apontou a produção agrícola, a indústria transformadora, as pequenas e médias empresas e o emprego juvenil como áreas prioritárias.

Mas a apresentação foi contestada por Ndinga de Deus, representante adjunto da UNITA em França, que questionou a dimensão dos benefícios económicos do corredor para o país e a população.

O representante partidário pediu esclarecimentos sobre a percentagem das receitas que efectivamente permanece em Angola e sobre as garantias de protecção do interesse público na execução do projecto.

“O povo não se alimenta de dados. Nós queremos políticas mais esclarecidas e pontos muito cruciais da realidade da vida da nossa população”, afirmou.

Ndinga de Deus manifestou dúvidas quanto aos dados apresentados pela embaixadora e considerou que as perspectivas de criação de emprego não correspondem à realidade de muitos jovens angolanos, que, segundo afirmou, enfrentam o desemprego e o empobrecimento.

A intervenção levantou questões sobre a distribuição dos ganhos económicos do Corredor do Lobito, nomeadamente a participação da economia nacional e os efeitos concretos do investimento nas condições de vida dos cidadãos.

Na sua apresentação, Guilhermina Prata destacou também a importância do investimento no capital humano e da cooperação entre Angola e França, sobretudo nos domínios da formação técnico-profissional, agricultura e desenvolvimento de competências.

O encontro reuniu diplomatas, deputados à Assembleia Nacional, académicos, estudantes e representantes de associações, tendo promovido o debate sobre soberania, governação, diversificação económica, transformação digital e integração regional.

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