Cerca de 250 cidadãos angolanos foram atendidos durante uma missão consular itinerante realizada pela Embaixada de Angola nos Estados Unidos da América, em Boston, com vista a facilitar o acesso a documentos de identificação, passaportes e outros serviços administrativos.
Em entrevista exclusiva à Rádio Correio da Quianda, conduzida pelo correspondente Áureo Gonçalves, o embaixador de Angola nos Estados Unidos, Agostinho de Carvalho dos Santos Van-Dúnem, afirmou que a iniciativa visa aproximar os serviços públicos das comunidades angolanas residentes no exterior.
Segundo o diplomata, a missão permitiu tratar de passaportes, bilhetes de identidade, procurações, certidões de nascimento e transcrições de actos de casamento, entre outros serviços notariais.
O embaixador explicou que a elevada procura levou a equipa a prolongar o horário de atendimento até perto da meia-noite, para responder às necessidades dos cidadãos. Anunciou igualmente a realização de novas missões consulares, incluindo uma em Massachusetts, nos dias 7 e 8 de Novembro, com previsão de atender entre 200 e 300 pessoas, além de uma deslocação a Washington, prevista para 1 de Novembro.
Agostinho Van-Dúnem destacou também a importância de mobilizar os conhecimentos e a experiência dos angolanos residentes nos Estados Unidos para contribuir para o desenvolvimento de Angola.
Neste sentido, referiu que a Embaixada criou, em 2023, o Conselho das Comunidades, destinado a reforçar o diálogo com as associações e lideranças comunitárias e a identificar formas de participação da diáspora no desenvolvimento nacional.
O diplomata mencionou ainda o programa de estágios semestrais da missão diplomática, dirigido a jovens angolanos residentes nos Estados Unidos, com o objectivo de lhes proporcionar experiência profissional e facilitar a sua integração no mercado de trabalho. A Embaixada procura igualmente incentivar a candidatura de cidadãos angolanos a vagas em organizações internacionais.
Sobre a participação dos angolanos residentes nos Estados Unidos nas eleições gerais de 2027, o embaixador afirmou que a Embaixada ainda não recebeu indicações das autoridades centrais, em Luanda, sobre os países onde será permitido o exercício do voto pela diáspora.
Acrescentou que, caso essa possibilidade seja confirmada para os Estados Unidos, a missão diplomática poderá trabalhar com a rede consular e as associações comunitárias na organização dos processos de registo eleitoral.
Relativamente à situação migratória nos Estados Unidos, Agostinho Van-Dúnem apelou aos cidadãos angolanos para regularizarem a sua permanência no país e manterem os documentos nacionais actualizados.
O diplomata afirmou que a Embaixada acompanha casos de angolanos detidos por questões migratórias, em articulação com as autoridades norte-americanas, incluindo o Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas (ICE).
Segundo explicou, a missão diplomática realiza visitas a cidadãos detidos e emite documentos necessários em processos de repatriamento, incluindo salvo-condutos e confirmações de nacionalidade.
O responsável acrescentou que a Embaixada já promoveu consultas gratuitas por videoconferência com advogados especializados em imigração, para orientar os cidadãos sobre os procedimentos a adoptar perante dificuldades com as autoridades migratórias.
No final da entrevista, o embaixador agradeceu à associação Malumuca e às entidades locais pelo apoio prestado durante a missão consular, manifestando satisfação com os resultados da visita e reiterando o compromisso de continuar a trabalhar em benefício da comunidade angolana nos Estados Unidos.
