Trabalhadores da AGL no Lobito preparam greve geral por tempo indeterminado

O prolongado silêncio da Africa Global Logistics (AGL) face às reivindicações apresentadas há três semanas pelos trabalhadores está a gerar tensão no Porto do Lobito, um dos principais pilares do Corredor do Lobito. A ausência de respostas ao caderno reivindicativo tem alimentado críticas à gestão do Conselho de Administração e acelerado os preparativos para uma greve geral por tempo indeterminado, segundo o Novo Jornal.

Na manhã desta terça-feira, mais de 400 trabalhadores da concessionária dos Terminais Polivalentes do Porto do Lobito concentraram-se à porta da empresa, no prosseguimento dos protestos por melhores salários, subsídios de produtividade e condições laborais mais dignas. A paralisação deverá ser formalizada na quinta-feira, com o apoio do Sindicato Provincial dos Transportes.

De acordo com a Comissão Sindical, cerca de metade dos trabalhadores da AGL — entidade que gere os Terminais de Contentores e de Carga Geral há dois anos — decidiu reforçar a pressão sobre a empresa, alegando ausência de resposta ao documento entregue anteriormente.

Durante a recente visita de uma delegação da União Europeia (UE) ao Lobito, os trabalhadores já haviam manifestado publicamente o seu descontentamento, entoando palavras de ordem que exigiam o pagamento de subsídios e o cumprimento dos acordos laborais.

Após o anúncio formal da greve, os trabalhadores planeiam marchar até às instalações do Porto-senhorio, de onde foram transferidos para a AGL, declarando ter perdido parte das regalias anteriormente garantidas.

Os trabalhadores criticam ainda aquilo que classificam de “apatia” do Conselho de Administração da AGL, liderado por Celso Rosas, face aos salários considerados baixos, subsídios de produtividade fora do previsto e condições difíceis nos turnos.

Segundo o caderno reivindicativo, o Porto-senhorio não tem fiscalizado o cumprimento das obrigações do concessionário, que pagou ao Estado mais de 100 milhões de dólares pela gestão de 20 anos dos terminais. A concessão foi atribuída por ajuste directo, sendo a ALT (AGL Lobito Terminal) responsável pela condução das operações portuárias.

Até ao fecho desta peça, a AGL não havia reagido à concentração. Contactado em ocasiões anteriores pelo NJ, o presidente do Conselho de Administração tem evitado comentar a situação social dos trabalhadores, preferindo destacar os projectos estruturantes da ALT, que pretende receber navios de grande porte.

Na semana passada, a representante da União Europeia em Angola, Rosária Bento Pais, sublinhou que o desenvolvimento do Corredor do Lobito deve estar alinhado com princípios sociais e ambientais, defendendo melhores condições laborais.
“Os trabalhadores devem ser bem tratados, com salários e condições alinhadas com padrões internacionais. É isso que diferencia a União Europeia”, afirmou.

 

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