Tchizé dos Santos critica fim da bicefalia e decisões de João Lourenço no MPLA

Tchizé dos Santos, antiga militante do MPLA e filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, criticou publicamente as mudanças feitas nos estatutos do partido, especialmente a eliminação da bicefalia. Segundo Tchizé, essa prática, introduzida durante a liderança do seu pai, permitia separar as funções de Presidente da República e Presidente do partido, promovendo um equilíbrio necessário na gestão do poder.

De acordo com Tchizé, a indicação de João Lourenço como candidato à Presidência da República respeitou os estatutos do partido, mas ela alega que ele terá pressionado José Eduardo dos Santos a abandonar a presidência do MPLA após assumir a chefia do Estado. “Houve um abaixo-assinado e várias formas de pressão para que o meu pai deixasse a liderança do partido antes de terminar o mandato”, afirmou.

Tchizé também denunciou o processo que levou à sua exclusão do Comité Central em 2016, classificando-o como irregular. “Removeram o meu nome sem que eu fosse ouvida, sem votação em congresso, como exigem os estatutos do MPLA”, declarou.

Por outro lado, a ex-militante questionou a possibilidade de um retorno à bicefalia, que estaria agora a ser promovido pelo próprio João Lourenço. Para ela, essa mudança contradiz os argumentos apresentados em 2016, quando a prática foi eliminada. “Os militantes precisam de perguntar por que razão agora se quer voltar a algo que antes foi considerado nocivo para o partido e para o país”, sugeriu.

O MPLA ainda não reagiu oficialmente às declarações de Tchizé dos Santos. João Lourenço, em ocasiões anteriores, defendeu o fim da bicefalia como uma medida para reforçar a unidade do partido e melhorar a eficácia na governação.

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