O escritor angolano Artur Pestana dos Santos, conhecido por Pepetela, relançou a obra “As Aventuras de Ngunga”, um dos clássicos da literatura nacional, 53 anos depois da sua primeira publicação, em 1973.
Escrita em 1972, num contexto marcado pela luta de libertação nacional, a obra é um romance juvenil que aborda questões relacionadas com o colonialismo, o abuso de poder e a imposição de uniões conjugais entre adolescentes e adultos, por vezes justificadas pela prática do alambamento.
Segundo uma publicação do jornal Expansão, o livro nasceu das observações feitas pelo escritor nas províncias do Moxico e Cuando Cubango, durante a guerra. Na época, Pepetela constatou que a disponibilidade de livros para leitura era limitada, estando essencialmente concentrada em materiais didácticos.
Perante esta realidade, surgiu a necessidade de produzir textos literários que pudessem aproximar as populações da leitura e da literatura, incluindo através da sua tradução para as línguas nacionais.
O escritor procurou igualmente valorizar as línguas nacionais, tendo manifestado preferência pela publicação da obra em português e Mbunda, língua falada no leste de Angola e em algumas regiões da Zâmbia.
“As Aventuras de Ngunga” foi a terceira obra publicada por Pepetela e mantém-se como uma referência da literatura angolana, pela abordagem de questões sociais, culturais e políticas, bem como pela sua contribuição para a formação de jovens leitores.
