O julgamento do denominado caso dos “espiões russos”, que envolve dois cidadãos angolanos e dois russos, foi adiado para o dia 14 de Abril, após a apresentação de questões prévias pela defesa no início da audiência.
O processo, que decorre em Luanda, tem como arguidos os cidadãos russos Lev Lakshtanov e Igor Ratchin, bem como os angolanos Amor Carlos Tomé, ligado à Televisão Pública de Angola, e Francisco Oliveira da Jura, organização juvenil associada à UNITA.
Segundo o Ministério Público, os arguidos são acusados de crimes de terrorismo e espionagem, incluindo alegadas ligações a organizações internacionais de financiamento ao terrorismo, bem como a preparação de um suposto golpe de Estado em Angola.
De acordo com a acusação, os envolvidos teriam ainda a intenção de capturar activos económicos em troca de apoio a forças da oposição angolana.
O advogado de defesa, David Guz, explicou que o adiamento resulta da necessidade de apreciação de questões prévias levantadas no início da audiência, consideradas pertinentes pelo tribunal.
“O Ministério Público requereu a suspensão da sessão para responder às questões apresentadas, tendo o tribunal decidido remarcar o julgamento para 14 de Abril, altura em que se prevê a continuidade da audiência e eventual produção de prova”, esclareceu.
Os quatro arguidos foram detidos em Agosto do ano passado, na sequência de um contexto de tensão social marcado por uma greve de taxistas, motivada pela subida do preço dos combustíveis e pelo aumento das tarifas dos transportes públicos, que resultou em actos de vandalismo na capital angolana.
O processo deverá retomar na data marcada, com a análise das questões preliminares e o prosseguimento da fase de instrução e produção de prova.
