O analista político José Gama afirmou esta semana, em declarações à rádio Channel Africa, que a greve dos taxistas ocorrida a 28 de Julho ficou marcada por “excessos cometidos pelas forças policiais”, assim como pela presença de “indivíduos infiltrados” que contribuíram para o desvio dos objectivos iniciais do protesto.
A paralisação, convocada pela Associação Nacional dos Taxistas (ANATA), visava contestar o recente aumento do preço do gasóleo, decorrente da política governamental de retirada progressiva dos subsídios aos combustíveis. Segundo Gama, os efeitos imediatos foram sentidos nas tarifas, que subiram até 50%, impactando sobretudo os cidadãos com menores rendimentos.
No entanto, o movimento perdeu o controlo ainda no primeiro dia. “Houve infiltração de indivíduos estranhos ao protesto, o que contribuiu para actos de vandalismo e confronto com as forças de segurança”, disse o analista, considerando que a resposta do Estado “excedeu os limites aceitáveis numa sociedade democrática”.
De acordo com dados do Governo, os confrontos resultaram em 30 mortos, 277 feridos e 1.553 detidos, em incidentes registados em Luanda e noutras seis províncias.
Para José Gama, esta situação mostra uma fragilidade do actual modelo de governação, que “reage com repressão em vez de procurar soluções consensuais”. O especialista sublinha ainda que o aumento do custo dos combustíveis sem medidas de compensação social pode gerar instabilidade, especialmente em sectores como o dos transportes informais.
A greve dos taxistas foi suspensa pela ANATA no mesmo dia em que teve início, após o aumento da tensão e a perda de controlo sobre os protestos.
