O Centro de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social de Angola (CEDESA) considerou hoje que a estabilização social constitui “o maior desafio transversal” do país, sublinhando a necessidade de “romper com velhos vícios” na governação.
No mais recente estudo sobre a economia angolana, o CEDESA aponta que o desemprego juvenil mantém-se elevado, rondando os 32%, o que exige políticas eficazes de integração no mercado de trabalho. O centro de estudos realça ainda que os investimentos em infraestruturas, energia, mineração e educação têm potencial para gerar milhares de empregos, desde que sejam sustentáveis e distribuídos de forma equitativa.
O documento defende que Angola deve garantir a todos os cidadãos acesso equitativo à educação, habitação, água potável e energia, através de uma governação tecnicamente competente, aberta à inovação e ao escrutínio público, transparente e responsável.
O CEDESA alerta que o futuro do país dependerá da capacidade de enfrentar os desafios com realismo e determinação, valorizando o mérito, a participação democrática e a justiça social. A análise refere ainda sinais de instabilidade política, com indefinição da sucessão de João Lourenço na liderança do MPLA e do país, e o fortalecimento das oposições.
Na economia, aponta sinais mistos, com conjuntura pessimista, mas com a execução de projetos infraestruturais de relevo, enquanto na esfera social predomina a sensação de anarquia e descontentamento. O documento critica também a atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Governo na diversificação económica e na gestão da dívida externa, nomeadamente a dívida chinesa.
Apesar das críticas, o CEDESA reconhece progressos legislativos na política energética, no setor mineiro, financeiro, da saúde e educação, bem como avanços em infraestruturas, especialmente no corredor do Lobito.
