A economia angolana registou um crescimento real de 8,74% no segundo trimestre de 2026, em comparação com o período homólogo de 2025, impulsionada pelo desempenho dos sectores petrolífero e não petrolífero, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com os indicadores económicos reunidos na publicação «Angola em Números», actualizada em Outubro de 2026, o sector não petrolífero cresceu 9,24%, enquanto o petrolífero registou uma expansão de 5,64%.
No primeiro semestre de 2026, o crescimento acumulado do Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 7,15%, face ao mesmo período do ano anterior. A evolução dá continuidade à recuperação económica iniciada em 2021, depois de cinco anos consecutivos de contracção, entre 2016 e 2020.
No domínio dos preços, a inflação homóloga fixou-se em 8,43% em Setembro, representando uma redução de 9,73 pontos percentuais em relação ao mesmo mês de 2025. O indicador permanece abaixo dos 10% desde Julho deste ano.
Relativamente ao mercado de trabalho, a taxa de desemprego da população com 15 ou mais anos situou-se em 21,5% no segundo trimestre, contra 28,8% no período homólogo de 2025. O número de pessoas empregadas foi estimado em cerca de 10,2 milhões, embora a taxa de emprego informal continue elevada, nos 80,1%.
No sector financeiro, o crédito à economia angolana aumentou 11% em Agosto, em termos homólogos, enquanto o financiamento ao sector produtivo cresceu 29,1%, com destaque para a indústria transformadora, a agricultura e as pescas. O documento indica ainda que o crédito disponibilizado aos agentes económicos passou de 4,4 biliões de kwanzas, em 2022, para 8,9 biliões em Maio de 2026.
As reservas internacionais líquidas atingiram 16,2 mil milhões de dólares, valor equivalente a aproximadamente oito meses de importações. Em Setembro, o Banco Nacional de Angola reduziu a taxa directora para 14,75%, no quadro da evolução da inflação.
Economia angolana apresenta melhorias nos principais indicadores
No domínio da dívida pública, os dados apresentados pelo Executivo indicam que o rácio da dívida da economia angolana em relação ao PIB passou de 115,9%, em 2020, para 51,2% em 2026, situando-se abaixo do limite legal de 60%.
O investimento directo estrangeiro no sector não petrolífero da economia angolana também registou crescimento. Em 2025, as entradas atingiram 959,4 milhões de dólares, um aumento de 171% face ao ano anterior, constituindo o valor mais elevado desde 2008, de acordo com dados do Banco Nacional de Angola.
Na modernização administrativa, Angola alcançou 0,593 pontos no Índice de Maturidade GovTech de 2025, do Banco Mundial, ficando ligeiramente acima da média mundial, de 0,589. O país passou do grupo C para o grupo B, que corresponde a um nível de maturidade digital significativa na Administração Pública.
Apesar dos indicadores positivos, a publicação reconhece desafios relacionados com a elevada informalidade económica e a necessidade de reforçar a criação de emprego, a produção nacional e a diversificação da economia.
Para 2026, as previsões de crescimento económico apresentadas no documento variam entre 4,4%, do Fundo Monetário Internacional, e 6,15%, do Banco Nacional de Angola, enquanto o Governo estima uma expansão de 5,7%.
A publicação «Angola em Números» reúne indicadores sobre a economia angolana, o emprego, a estabilidade financeira, o investimento e a modernização administrativa, com dados de instituições nacionais e internacionais, entre as quais o Instituto Nacional de Estatística (INE), o Banco Nacional de Angola, o Ministério das Finanças e o Banco Mundial.
