Jornalistas africanos: 61% dos inquiridos têm rendimentos insuficientes

Cerca de 61% dos jornalistas africanos inquiridos não conseguem satisfazer as necessidades básicas de subsistência com os rendimentos provenientes da actividade profissional, segundo um relatório da Federação de Jornalistas Africanos (FAJ), que alerta para a precariedade laboral e o agravamento das dificuldades enfrentadas pelos profissionais da comunicação social no continente.

O documento, intitulado «Jornalismo sob Cerco: Condições de Trabalho Precárias e Declínio da Liberdade de Imprensa em África», resulta de um inquérito realizado a 1.586 jornalistas de 45 países, distribuídos pelas cinco regiões africanas.

Divulgado pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), a 29 de Outubro, o estudo foi desenvolvido pela FAJ, com o apoio do Programa Multidoadores da UNESCO para a Liberdade de Expressão e a Segurança dos Jornalistas.

A investigação é apresentada como o primeiro relatório de âmbito continental conduzido por jornalistas africanos a reunir informações sobre condições de trabalho, direitos laborais, segurança profissional e liberdade de imprensa.

Jornalistas africanos enfrentam precariedade laboral

De acordo com os resultados, apenas 4% dos profissionais consultados consideram que os salários recebidos são suficientes para cobrir adequadamente as despesas essenciais.

A precariedade laboral constitui uma das principais preocupações identificadas no estudo, com 58% dos inquiridos a relatarem atrasos no pagamento das remunerações, enquanto 62% afirmam trabalhar sem contratos escritos.

O relatório revela ainda que 71% dos participantes não beneficiam de qualquer protecção social, situação que evidencia fragilidades nas condições de emprego e na segurança económica dos profissionais.

No que respeita aos vínculos laborais, os jornalistas independentes, conhecidos como freelancers, representam 29% dos participantes, enquanto colaboradores e correspondentes constituem outros 18%.

A investigação indica igualmente que 53% dos profissionais consultados têm idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos, demonstrando uma presença significativa de jovens na amostra estudada.

Segurança e liberdade de imprensa sob pressão

Além das dificuldades económicas, o relatório aponta preocupações relacionadas com a segurança dos profissionais e as condições necessárias ao exercício independente do jornalismo.

Segundo os dados apresentados, 65% dos inquiridos afirmaram ter sido vítimas de ameaças ou intimidações relacionadas com a actividade jornalística nos últimos três anos.

Apenas 17% declararam sentir-se sempre seguros durante o exercício da profissão, enquanto 55% afirmaram sentir-se raramente ou nunca em segurança.

O estudo revela também que 84% dos participantes admitiram recorrer à autocensura, de forma frequente ou ocasional, perante diferentes pressões enfrentadas no exercício da actividade.

Perante os resultados, a Federação de Jornalistas Africanos defende a adopção de medidas destinadas a melhorar as condições de trabalho, reforçar os mecanismos de protecção e garantir maior independência editorial.

Entre as prioridades apontadas constam a valorização salarial, a formalização dos contratos de trabalho, o acesso à protecção social e a criação de ambientes profissionais seguros.

A organização considera igualmente necessária a adopção de mecanismos eficazes de combate às ameaças e à impunidade, de modo a assegurar o exercício da actividade jornalística com liberdade e segurança.

O relatório alerta que a persistência destas dificuldades poderá comprometer a sustentabilidade do jornalismo africano e o acesso dos cidadãos a informação independente e de interesse público.

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