Um menor de idade foi baleado no início do mês de Dezembro, na zona das Burgalheiras, no chamado Primeiro Bairro, município do Panguila, província do Bengo, num caso que está a gerar forte indignação e revolta entre os moradores da localidade.
Segundo relatos recolhidos no local, o disparo foi efectuado por um agente das Forças Armadas Angolanas (FAA), que se encontrava a fazer a vigilância de um quintal alegadamente pertencente a um general. As motivações do disparo não foram reveladas e, até ao momento, as autoridades não prestaram qualquer esclarecimento público sobre as circunstâncias exactas do incidente.
Imagens que circulam mostram que o menor foi atingido na região lombar, especificamente no flanco direito. O ferimento, localizado na zona lateral das costas, evidencia a gravidade da agressão contra uma pessoa desarmada e vulnerável. Moradores afirmam que o menor sofre de perturbações mentais, situação conhecida na comunidade, o que levanta sérias questões sobre o uso da força letal contra pessoas vulneráveis e a actuação dos efectivos militares em funções de vigilância civil.
“Era um menino conhecido aqui no bairro. Toda a gente sabia da condição dele. Não representava ameaça”, relatou um morador, que pediu anonimato por receio de represálias.
Após ter sido atingido, o menor foi socorrido e encaminhado para uma unidade hospitalar, onde recebeu cuidados médicos. Até ao momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre o seu estado clínico.
Familiares e vizinhos exigem justiça, responsabilização criminal do autor do disparo e esclarecimentos urgentes por parte das instituições do Estado. A comunidade apela à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério da Defesa Nacional e aos órgãos de investigação criminal para que o caso seja investigado de forma séria e independente.

