Mina de Tetelo, no Uíge, simboliza nova estratégia de diversificação económica e posiciona o país no mapa africano da transição energética.
A República de Angola atravessa um momento decisivo na sua evolução económica, ao procurar libertar-se de décadas de dependência do petróleo. A Mina de Cobre de Tetelo, localizada na província do Uíge, representa mais do que um simples projecto industrial — é o reflexo de uma estratégia nacional voltada para a diversificação das fontes de receita e o crescimento sustentável.
Com um investimento estimado em 250 milhões de dólares, o empreendimento marca a entrada de Angola no circuito global da transição energética e posiciona o país como um actor emergente no competitivo sector mineiro africano. A iniciativa integra um plano de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade às oscilações do preço do crude, que historicamente tem representado mais de 90% das exportações nacionais.
Segundo jornal Discovery Alert, o cobre surge assim como uma alternativa estratégica num contexto de crescente procura internacional, impulsionada pela produção de veículos eléctricos, construção de infraestruturas energéticas renováveis e modernização das redes inteligentes. Analistas de mercado projectam um aumento exponencial na procura deste minério até 2030, embora alertem para possíveis períodos de volatilidade de preços.
Durante a fase inicial de operação, a Mina de Tetelo deverá produzir cerca de 25 mil toneladas de concentrado de cobre por ano — uma produção modesta face a gigantes regionais como a Kamoa-Kakula, na RDC, ou Kansanshi, na Zâmbia. Contudo, a vantagem geográfica de Angola, com acesso directo ao Atlântico e ligação ao Corredor do Lobito, confere-lhe uma posição competitiva relevante.
A transição prevista para operações subterrâneas em 2026 demonstra o compromisso com práticas de mineração modernas e sustentáveis, que visam maximizar a recuperação dos recursos e minimizar o impacto ambiental. O projecto, estruturado como uma parceria entre investidores estrangeiros e entidades nacionais, aposta ainda em formação técnica e no desenvolvimento de infraestruturas de suporte à produção.
Para o Governo, a Mina de Tetelo é mais do que uma aposta económica: é um símbolo da nova visão estratégica de Angola, que busca equilíbrio entre crescimento industrial, soberania sobre os recursos naturais e alinhamento com as tendências globais de descarbonização.
