Num movimento que pode redefinir o panorama mundial dos diamantes, Angola submeteu uma proposta formal para adquirir a totalidade da participação de 85% que a Anglo American detém no grupo De Beers.
De acordo com fontes citadas pela Reuters e Bloomberg, Angola elevou a sua aposta no controlo da De Beers através de uma proposta apresentada pela empresa estatal Endiama E.P., que expressa a intenção do país em assumir o controlo maioritário do gigante dos diamantes.
Há apenas um mês, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro Azevedo, tinha afirmado que Angola pretendia apenas uma participação minoritária na De Beers — no âmbito de uma aliança pan-africana com o Botswana, Namíbia e África do Sul.
Contudo, as mais recentes movimentações revelam uma clara mudança de estratégia. A proposta angolana é descrita como “concreta e bem estruturada”, incluindo não apenas o interesse nos activos da empresa, mas também o acesso às suas tecnologias de exploração e comercialização.
A iniciativa coloca Angola em rota de colisão com o Botswana, que já detém 15% da De Beers e manifestou intenção de assumir o controlo total, considerando a empresa um activo estratégico nacional.
Enquanto isso, a Anglo American prossegue com o plano de alienar o negócio dos diamantes até ao final do ano, para concentrar-se em operações mais rentáveis, como o cobre e o minério de ferro.
Em 2024, Angola ultrapassou o Botswana como o maior produtor de diamantes de África em valor, um marco que reforça o peso de Luanda na geopolítica global do sector.
