Donald Trump é o novo Presidente dos Estados Unidos, depois de ter vencido as eleições presidenciais à candidata democrata, Kamala Harris. Até ao momento o candidato republicano obteve 277 votos eleitorais contra 224 conquistados pela rival democrata. No discurso de vitória em Palm Beach, na Florida, Donald Trump reclamou uma “vitória política nunca antes vista” e prometeu “uma era dourada” para a América.
Donald Trump usou um tom de conciliação no discurso de vitória, reafirmando a intenção de travar a imigração ilegal e melhorar a economia.
O candidato republicano referiu ainda que é tempo de união e de deixar para trás as divisões, lembrando que recebe um mandato sem precedentes, numa referência ao controle total do Congresso, com uma retoma da maioria do Senado e uma eventual também manutenção da maioria da Câmara dos Representantes, que esta hora não se confirma ainda.
“É uma vitória política nunca antes vista no nosso país“, afirmou Donald Trump perante milhares de apoiantes no Centro de Convenções de Palm Beach, no estado da Florida.
Donald Trump venceu nos primeiros quatro estados principais, Carolina do Norte, Geórgia, Pensilvânia e Wisconsin. O candidato republicano venceu ainda no Texas e na Flórida – onde passou a noite eleitoral com Elon Musk – bem como em 21 outros estados: Indiana, Kentucky, Virgínia Ocidental, Alabama, Carolina do Sul, Mississippi, Oklahoma, Tennessee, Arkansas, Dakota do Norte e do Sul, Louisiana, Wyoming, Ohio, Nebraska, Missouri, Montana, Utah, Iowa, Kansas e Idaho.
Kamala Harris venceu na Califórnia, Illinois, Colorado, Estado de Washington, Oregon, Novo México, Virgínia, Havaí, e nos redutos democratas do Nordeste – Vermont, Connecticut, Massachusetts, Maryland, Rhode Island, Nova Jersey, Delaware, Nova York e na capital, Washington, que é um distrito federal.
Até ao momento, Donald Trump soma 277 votos dos chamados “grande eleitores” do Colégio Eleitoral. A candidata democrata e vice-presidente, Kamala Harris, tem 224. O Colégio Eleitoral é constituído por 538 “grandes eleitores”, representativos dos 50 estados norte-americanos.
Esta vitória coloca Trump a um nível em que pode bater um recorde do voto popular para o lado republicano já com 20 anos. Desde 2004 que um republicano não vence as eleições no voto popular.
Se vencer com os 315 votos, no colégio eleitoral, como estimou Donald Trump no discurso, poderá conseguir o maior número de votos de um candidato republicano vencedor em presidenciais desde 1988. Os números da vitória de Donald Trump ainda não estão fechados, mas podem ficar muito acima das projecções iniciais.
No seu discurso, Trump agradeceu a toda a sua equipa e também a Elon Musk, o patrão do X, que foi considerado como um ‘supergénio’.
No plano das medidas, reiterou a promessa de fechar fronteiras e de travar a vaga de imigrantes ilegais que entram em território norte-americano. Donald Trump conseguiu uma boa votação sobretudo nas zonas rurais e, ainda que tenha perdido em algumas cidades, reduziu consideravelmente as diferenças em relação ao Partido Democrata.
Beneficiou ainda do facto de Kamala Harris não ter conseguido estar ao nível daquilo que Joe Biden tinha apresentado nas eleições de 2020. Resta saber como vai o Partido Democrata responder a esta hecatombe nestas eleições presidenciais norte-americanas.
Reacções internacionais à vitória de Donald Trump
São muitas as reacções internacionais à vitória de Donald Trump. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky ,manifestou esperança no contributo de Trump para “trazer a paz à Ucrânia“. Do lado russo, o Kremlin disse que Vladimir Putin não tem intenções de felicitar Donald Trump.
A China disse que vai continuar a trabalhar com os Estados Unidos com base no “respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação vantajosa para ambas as partes”. Já o Governo iraniano declarou-se indiferente à vitória de Donald Trump, insistindo que as relações entre os dois países não vão mudar.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o regresso de Donald Trump à Casa Branca “oferece um novo começo para a América e um poderoso compromisso com a grande aliança entre Israel e a América”. Por sua vez, o Hamas disse que Trump será testado e afirmou que o “apoio cego” dos EUA a Israel “deve acabar”.
Do lado europeu, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Órban, afirmou que “é o maior regresso da história política dos EUA”. O Presidente francês, Emmanuel Macron, escreveu na rede social X: “Parabéns Presidente Donald Trump. Pronto para trabalharmos juntos como o fizemos durante quatro anos. Com as suas convicções e com as minhas. Com respeito e ambição. Mais paz e prosperidade.”
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse também estar “ansioso para trabalhar com Trump” e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também saudou a vitória de Trump, salientando que a “Itália e os EUA são nações “irmãs”, ligadas por uma aliança inabalável, valores comuns e uma amizade histórica”.
O chanceler alemão, Olaf Scholz, felicitou Trump, lembrando que a Alemanha e os EUA têm trabalhado juntos com sucesso. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, mostrou a intenção dos dois países “trabalharem nas relações bilaterais estratégicas e numa forte parceria transatlântica” e o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, disse estar empenhado em trabalhar numa “colaboração estreita” a nível bilateral, multilateral e da NATO.
Quando tomar posse, em Janeiro de 2025, Donald Trump será a pessoa mais velha a tornar-se Presidente dos Estados Unidos, sendo cinco meses mais velho do que Joe Biden quando chegou ao poder em 2021. O magnata nova-iorquino concluirá o seu segundo mandato aos 82 anos, em Janeiro de 2029. In RFI
