Oposição quer que líderes dos Grupos Parlamentares agendem discussão da Proposta de Lei sobre Institucionalização das Autarquias na primeira plenária deste ano

Os partidos políticos da oposição defendem que, assim que os líderes dos Grupos Parlamentares definam a agenda da próxima plenária deste ano, não esqueçam, para além do Orçamento Geral do Estado (OGE), a Proposta de Lei sobre Institucionalização das Autarquias, o único diploma do pacote legislativo autárquico que ainda não foi aprovado pela Assembleia Nacional.
Na opinião do deputado da UNITA, Nelito Ekukui, a realização das autarquias em 2023 é um “desejo assumido também pelo Presidente da República, João Lourenço, durante a sua campanha eleitoral”.
“A discussão do Orçamento Geral do Estado e a Proposta de Lei sobre a Institucionalização das Autarquias são neste momento, os dois documentos fundamentais que deveriam constar da agenda da primeira plenária deste ano”, referiu o também secretário da UNITA em Luanda.
O deputado do PRS, Rui Malopa Miguel, defende que a aprovação da Proposta de Lei sobre a institucionalização das Autarquias vai criar as condições para a realização das eleições autárquicas em Angola.
“Em Angola continua a haver deficiente saneamento básico, deficiente distribuição da água, da energia eléctrica, a falta de iluminação pública, emprego, continua a ser necessário o melhoramento das vias de comunicação e o acesso à saúde, educação, cultura (…), e as autarquias são a solução para estes problemas”, disse.
O Bloco Democrático (BD) diz que a governação local pauta-se pelo envolvimento dos munícipes, auscultando as suas reais necessidades para que o plano de governação promova o desenvolvimento local e os direitos económicos, sociais e culturais.
“Angola é um dos países africanos mais centralizados, quer para o sistema político, quer para o administrativo ou financeiro. Temos de evoluir para as eleições autárquicas em todos os municípios”, frisou o secretário-geral do BD, Muata Sebastião.
A UNITA e outros partidos políticos têm reafirmado que o MPLA tem medo da realização das eleições autárquicas em Angola e que todos os indicadores apontam para um resultado pouco favorável para o partido no poder.
“O maior desafio de Angola é a realização das autarquias, como todos sabemos, e é exatamente este o compromisso feito pelo Presidente da República, pelo MPLA, que agora as está a negar. Todos os indicadores apontam para que não haja eleições autárquicas porque o MPLA tem medo de fazer autarquias, está convencido que não as ganha e, portanto, está agora num movimento de impedimento deste acto”, afirmou, recentemente, o presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior.
A vice-presidente do MPLA, Luísa Damião, em resposta disse que o seu partido não tem medo da realização das autarquias, anunciadas pelo Presidente da República, João Lourenço, durante a campanha eleitoral.
“Fomos nós a propor a realização das eleições autárquicas em Angola. Não temos medo que estas venham acontecer”, respondeu Luísa Damião, à margem da tomada de posse dos deputados eleitos para a V Legislatura.
Fonte: Novo Jornal

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