Em um recente relatório divulgado pelo Afrobarómetro, uma pesquisa de opinião pública destacou a crescente desconfiança dos angolanos em relação ao combate à corrupção no país. O analista Albino Pakisi, em entrevista ao Jornal Valor Económico, analisou os dados do estudo, apontando três fatores principais que contribuíram para essa queda na confiança.
O primeiro motivo é o desencontro entre as expectativas e os resultados. Quando o atual governo assumiu o poder, as esperanças de um combate efetivo à corrupção eram altas. No entanto, apesar dos discursos iniciais prometendo uma mudança significativa, os resultados práticos não corresponderam às expectativas. Pakisi observou que os processos judiciais contra a corrupção são frequentemente lentos e complexos, frustrando as esperanças da população por mudanças rápidas.
Outro fator apontado por Pakisi é a prática governamental de realizar contratos simplificados e adjudicações diretas. Essa abordagem, que se tornou comum, é vista como uma forma de corrupção, minando a confiança pública na transparência das contratações públicas.
Além disso, Pakisi destacou a fragilidade do sistema judicial angolano como um fator crítico para a desconfiança no combate à corrupção. A falta de recursos financeiros e materiais para juízes e procuradores compromete a capacidade do sistema de lidar com casos de corrupção de maneira eficaz e transparente.
Pakisi concluiu que, embora o combate à corrupção não deva depender apenas de uma única pessoa, a falta de transparência e as práticas atuais enfraquecem a confiança pública e a eficácia dos esforços anticorrupção em Angola. Ele ressaltou a importância de um esforço coletivo e sistemático para enfrentar a corrupção de forma mais eficaz, envolvendo toda a sociedade na busca por maior integridade e justiça.
