Venâncio Mondlane defende reforma profunda do Estado e nova bandeira nacional em Moçambique

O presidente interino do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, defendeu neste sábado (12.10) a necessidade de uma “reforma profunda do Estado moçambicano”, incluindo a revisão da Constituição, a substituição da bandeira nacional e mudanças estruturais no sistema eleitoral. O político falava durante a cerimónia de abertura da auscultação popular promovida pelo partido, que reuniu centenas de cidadãos em Maputo.

Mondlane iniciou o discurso afirmando que a ANAMOLA tem uma “missão histórica” de lutar pela justiça “sem proveito próprio”, e criticou o que classificou como um “ciclo de exclusão política” vigente desde a independência de 1975. “Há cinquenta anos que se mata o pensamento divergente”, disse, evocando nomes como Joana Simeão e Carlos Cardoso como símbolos de resistência.

Ideologia e visão política

O presidente interino do partido ANAMOLA, defende um “liberalismo democrático fundado no Estado de Direito”, inspirado na filosofia africana Ubuntu, e ancorado em valores de “família e fé num Deus único”. A ideologia final do partido, acrescentou, será aprovada na Convenção Nacional de 2026, onde serão definidas as suas linhas programáticas.

Nova bandeira e símbolos nacionais

Mondlane anunciou ainda um concurso público para a criação de uma nova bandeira nacional, que recebeu mais de 5.000 propostas de designers nacionais e estrangeiros. Cerca de 150 bandeiras foram selecionadas e serão submetidas à votação pública. “Precisamos de uma bandeira que una os moçambicanos e represente a nossa verdadeira identidade coletiva”, afirmou.

Sistema eleitoral e combate ao “roubo de votos”

O líder da ANAMOLA defendeu a substituição do cartão de eleitor pelo bilhete de identidade, como documento válido para votação, argumentando que tal medida reduziria custos e aumentaria a transparência eleitoral. Mondlane também propôs a digitalização das contagens de votos e a divulgação rápida dos resultados, num prazo máximo de três dias, para evitar manipulações.

Reformas económicas e institucionais

Entre outras propostas, Mondlane defendeu uma reforma do Banco Central, tornando-o independente e técnico, bem como revisões ao Código Penal e ao sistema tributário, a fim de promover um ambiente económico mais justo e transparente.

Auscultação popular

Segundo o dirigente, a auscultação popular da ANAMOLA começou com inquéritos online, que já recolheram 45 mil respostas no primeiro dia. O objectivo é atingir 300 mil participações em todo o país, com consultas presenciais previstas em 1.100 localidades até dezembro.

“Queremos comparar o nosso relatório com o da comissão oficial e deixar o povo julgar qual é a verdadeira auscultação popular”, disse Mondlane, sob aplausos.

O político encerrou a cerimónia agradecendo a presença dos participantes e elogiando “a coragem dos que compareceram, mesmo sob medo e pressão”.

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