O Secretariado-Geral da UNITA convocou hoje, (28) uma conferência de imprensa para esclarecer a opinião pública nacional e internacional sobre os acontecimentos de 23 de agosto de 2025, na cidade do Cuito, província do Bié, que culminaram na detenção e condenação sumária de dirigentes e militantes do partido.
Segundo a UNITA, o acto político de massas organizado pelo Comité Municipal do partido, antecedido por uma marcha na Avenida Joaquim Kapango, foi previamente comunicado às autoridades locais em 21 de agosto, por meio da nota n.º 09SCMPK/2025 dirigida ao Comando da Polícia Nacional. A recepção foi confirmada pelo Comando Municipal, mas, no dia do evento, a Polícia Nacional, sob o comando do Sr. Luís Brek, Comandante Provincial da URP, e do 2.º Comandante Municipal, Sr. Humberto Moisés, tentou impedir a realização da marcha, ameaçando os militantes.
A direção do partido denuncia que, mesmo após um acordo para permitir a marcha, a Polícia alterou o percurso autorizado, criando incidentes que levaram à dispersão forçada com recurso a gás lacrimogéneo e disparos. A UNITA garante que os seus membros não iniciaram qualquer confronto com as forças da ordem.
Como consequência, foi detido o jovem Felizardo Nuñulo Mbalaka. No dia 25 de agosto, a Polícia emitiu mandados de detenção contra dois dirigentes, Amélia Bernardeth Chinguto e Aurélio Mesquita Cassinda Marques, que foram levados ao SIC Central e posteriormente julgados sumariamente, acusados de “Ofensas Corporais Simples” e “Ajuntamento de Motins”. O julgamento, realizado sob forte presença policial entre as 16 e as 22 horas, culminou na condenação: Amélia Chinguto e Aurélio Marques receberam penas de um ano e seis meses, enquanto Mbalaka foi condenado a dois anos de prisão.
Para a UNITA, estas condenações têm motivações políticas e revelam manipulação da justiça, contrariando a legislação aplicável aos julgamentos sumários. O partido repudia as sentenças, exige a libertação imediata dos detidos e alerta para a escalada da violência estatal. A conferência de imprensa terminou com cinco pontos-chave: denúncia das acções ilegais da Polícia, condenação da violação da Constituição e da Lei dos Partidos Políticos, repúdio à manipulação da justiça, exigência da libertação dos militantes e reafirmação da disposição para o diálogo institucional.
A UNITA apelou às organizações da sociedade civil, às igrejas e à comunidade internacional para acompanharem a situação, sublinhando que a liberdade do partido está directamente ligada à defesa do Estado Democrático de Direito em Angola.
