UNITA acusa Governo de criar clima de medo e alerta para possível Estado de Sítio

A UNITA, maior partido da oposição angolana, responsabilizou o Executivo pela “grave crise social” que o país enfrenta, na sequência dos protestos de 28, 29 e 30 de Julho, motivados pela subida do preço dos combustíveis.

Em comunicado emitido após a XXI Reunião Extraordinária do Comité Permanente da Comissão Política, realizada em Luanda, sob orientação do presidente Adalberto Costa Júnior, o partido considerou legítima a greve dos taxistas e condenou a “repressão violenta” das forças de segurança.

Segundo a UNITA, as mortes registadas durante os tumultos resultaram, em grande parte, de “execuções sumárias”, acusando ainda o Governo de tentar “manipular a opinião pública com cenários fictícios e acusações contra dirigentes associativos e figuras incómodas ao regime”.

O comunicado denuncia que o Executivo está a “preparar terreno para instaurar um Estado de Sítio, com objetivo de se perpetuar no poder”, apontando como indícios a violação de direitos fundamentais, detenções arbitrárias, execuções de cidadãos e julgamentos políticos.

O partido critica o silêncio do Presidente da República, João Lourenço, face às denúncias de “uso desproporcional da força, detenções arbitrárias e mortes extrajudiciais”, acusando-o de não cumprir o seu papel de garante da Constituição.

A UNITA manifesta ainda preocupação com as prisões em massa, incluindo ativistas e líderes associativos, e alerta para um “processo em curso de transição do autoritarismo para a ditadura, com retorno ao monopartidarismo de má memória”.

Relativamente ao XIV Congresso Ordinário, previsto para este ano, o partido condena qualquer tentativa de interferência por parte do poder político, tal como, afirma, aconteceu antes das eleições de 2022.

“Enquanto fator de estabilidade, a UNITA reafirma o seu compromisso com a democracia, a paz e a defesa das liberdades consagradas na Constituição”, conclui o comunicado.

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