Turismo sim, mais do que charme – Anabela Sapalalo

O turismo é, de facto, um sector estratégico para a alavancagem da economia. No caso de Angola, se devidamente potenciado e optimizado, poderá tornar-se numa das mais seguras e sustentáveis fontes de receita, contribuindo para a redução da dependência do PIB petrolífero.

Contudo, não basta reconhecer o seu potencial — é imperioso agir. Urge passar da teoria à prática. As estratégias para a materialização deste desiderato devem obedecer aos princípios fundamentais da ciência económica, assentes em investimentos sustentáveis e estruturantes, e não em acções pontuais e de efeito efémero.

Neste sentido, impõe-se:

• A definição clara de prioridades no sector do turismo;

• A realização de investimentos consistentes em infra-estruturas, garantindo a sua qualidade, segurança e durabilidade, com destaque para estradas, pontes e vias de acesso às zonas com potencial turístico, sobretudo nas áreas rurais;

• O reforço da segurança nacional, começando pela segurança alimentar, assegurando uma produção interna eficaz que torne o mercado mais competitivo, tanto em bens e serviços como em termos de preços;

• O investimento no sector da hotelaria, tornando-o mais atractivo, competitivo e alinhado com padrões internacionais;

• A melhoria dos serviços de restauração, não apenas ao nível da gastronomia, mas também da qualidade do atendimento, com forte aposta na formação dos recursos humanos;

• A reabilitação e valorização de infra-estruturas turísticas existentes, com especial enfoque nos parques naturais e reservas;

• A valorização da nossa extensa costa marítima, tornando-a mais atractiva e funcional do ponto de vista turístico;

• A rejeição de uma visão redutora do turismo assente apenas em acções de “charme”, reconhecendo que este sector exige uma abordagem estrutural e integrada;

• A promoção e valorização dos recursos internos, priorizando o que é nacional antes de recorrer a figuras externas;

• O investimento contínuo na riqueza e diversidade cultural angolana, enquanto activo diferenciador no panorama turístico internacional.

Se adoptarmos estas medidas com seriedade e visão estratégica, Angola tornar-se-á, naturalmente, um destino turístico atractivo. Visitantes de todo o mundo virão pela qualidade da nossa oferta, sem necessidade de convites artificiais ou acções pontuais de promoção.

Angola é um país belo, vasto e profundamente rico em recursos naturais, culturais e humanos. Por isso, mais do que uma possibilidade, o turismo deve ser encarado como uma prioridade nacional.

Pensemos Angola.

Por Anabela Sapalalo | Economista e Deputada

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