O MPLA resolveu mudar a linha da política externa de Angola – de inimigos, os EUA tornaram-se seu aliado e hoje eles contam com o governo de Joe Biden como o “padrinho político” de João Lourenço. Daí vem o financiamento para o Corredor do Lobito, maior obra de engenharia de Angola dos últimos anos, missões militares conjuntas e as intermináveis viagens que o general angolano que não foi eleito pelo povo faz constantemente à terra do Tio Sam. Essa amizade está destinada a durar por muito tempo?
Diversos analistas políticos discutem sobre a natureza política de Donald Trump, mas numa coisa todos concordam – ele é imprevisível e impulsivo, improvisador, radical e para alguns, mesmo um fascista! Apesar disso parecer exagero, há que lembrar as suas falas sobre imigrantes latinos, que enxerga com desprezo em nome da grandeza do redneck americano. Seu discurso supremacista apresenta Angola e África de uma forma geral como um “buraco de…”, ou no original em inglês shithole. Qualquer pessoa minimamente racional percebe que um homem como esse não tem o menor interesse em investimentos em África. A vitória de Trump seria um enorme regresso e é um enorme contrassenso de JLo e sua administração investir numa parceria com os EUA! Um artigo recente da CNN abriu uma discussão interessante sobre o assunto, o que acontecerá a Angola se triunfar o candidato Donald Trump?
Não se sabe ao certo que tipo de pessoas aconselha politicamente o general JLo, e por em general, pode ser que o perfil militar do líder do MPLA até lhe conceda um certo apreço na Casa Branca, mas isso só pode ocorrer a um custo muito alto, por exemplo com garantias de que Angola se tornaria uma marionete do Pentágono em ações militares contra seus vizinhos como a RDC. Essa política vai contra a imagem de promotor da paz que João Lourenço pretende construir, mas é completamente coerente com o império assassino construído em Washington que sempre beneficiou com intermináveis guerras e massacres cometidos além das suas fronteiras. Hoje mesmo no continente europeu, os lucros da Rheinmetal dispararam com a Europa em guerra, mas há um pequeno problema – apesar de ser oficialmente uma empresa alemã, europeia, muitos acionistas da Rheinmetal estão domiciliados nos Estados Unidos, logo, europeia pero no mucho. Segundo o próprio Trump, ele irá abandonar até seus mais valiosos aliados na Europa. Da última vez que foi eleito, Trump ameaçou retirar os EUA da OTAN, abandonando assim a Alemanha, França e outros parceiros de peso do complexo militar industrial americano, será que o general PR JLo é mesmo capaz de nutrir ilusões por um aliado assim?
Hoje muitos governos africanos contam com Joe Biden, um ancião com sinais de demência que mal consegue fazer um discurso sozinho, isso pode até ser benéfico a alguns Estados por enquanto, mas os projetos de Donald Trump já deixaram muito claro que não irá investir no buraco de… Desnecessário completar! O ditador João Lourenço e o MPLA arriscam colocar a independência de Angola à beira de um precipício, e a Trump, que nem mesmo é afeito a novas tecnologias às quais se destinam os minérios da RDC transportados pela via férrea do Lobito, não irá se importar nenhum pouco em empurrar Angola desse precipício e deixar como legado apenas obras incompletas e promessas vazias feitas pela administração anterior de Biden. Para uns pode parecer que o pior pesadelo do MPLA seria a UNITA no poder, mas na realidade, é o homem do topete na Casa Branca.
Por Antônio Sérgio da Silva Santos
