Tribunal começou a julgar rede internacional de pornografia infantil e jogos ilícitos em Luanda

O Tribunal da Comarca de Luanda (TCL) iniciou esta semana o julgamento de 52 arguidos, dos quais dois angolanos e 50 cidadãos chineses, acusados de integrar uma rede internacional de criminalidade organizada, que operava a partir de uma unidade hoteleira arrendada no distrito urbano do Talatona, em Luanda.

Segundo o Ministério Público, o grupo é acusado de crimes de exploração ilícita de jogos, associação criminosa, coação à prática de jogos, pornografia infantil, jogos fraudulentos, branqueamento de capitais e retenção de moeda.

A acusação descreve que a rede arrendou por um ano um hotel, ao custo de 20 milhões de kwanzas, onde foram montadas operações de jogos online ilegais e produção de conteúdos pornográficos envolvendo menores. O espaço servia como centro de operações, com mais de 230 computadores e 229 telemóveis, utilizados para aplicar golpes online e gerir redes de exploração.

Os acusados recrutavam jovens do Brasil, China e países europeus, sob falsas promessas de trabalho. Ao chegarem a Angola, os estrangeiros tinham os passaportes e telefones confiscados e eram obrigados a trabalhar sob coação no espaço controlado pela organização. Os treinamentos incluíam táticas de engano para jogos online fraudulentos.

De acordo com o Ministério Público, a rede chegou a contratar influenciadores digitais para atrair vítimas e promover as plataformas de jogo. Os criminosos, segundo a acusação, ameaçavam de morte os jogadores sempre que alguém tentava resgatar prémios ganhos. Muitas vezes, os vencedores ficavam sem acesso aos valores prometidos.

Além das actividades ilícitas relacionadas com jogos, a rede também operava plataformas de pornografia infantil, cobrando valores pela exposição de crianças. Durante a operação de desmantelamento conduzida pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), foram apreendidos 40 milhões de kwanzas, mais de 15 mil dólares, documentos diversos, equipamentos electrónicos e provas dos crimes.

O Ministério Público indicou que os 50 cidadãos chineses, em prisão preventiva desde Agosto de 2024, confessaram os crimes durante os primeiros interrogatórios. Contudo, os arguidos recusam-se a identificar outros membros da rede ainda em liberdade.

Na altura da detenção, a Embaixada da China em Angola declarou ao Novo Jornal que apoia as autoridades angolanas no combate à criminalidade e reafirmou o apelo aos seus cidadãos e empresas no país para que respeitem a legislação nacional, reiterando que todos os culpados devem ser responsabilizados criminalmente.

 

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