Os trabalhadores da empresa Lunhinga Sociedade Mineira, localizada no município do Lucapa, província da Lunda-Norte, endereçaram uma carta à Governadora Provincial pedindo a sua intervenção diante da possibilidade de encerramento da mina e das consequências sociais e económicas associadas.
A Lunhinga, sucessora do Projecto Luó em 2019 e constituída como sociedade mineira em 2022, enfrenta actualmente dificuldades financeiras que podem levar à falência, conforme anunciado numa reunião realizada a 16 de Dezembro de 2024, na sede da ENDIAMA-E.P., em Luanda. A decisão poderá resultar no desemprego de cerca de 350 trabalhadores.
De acordo com os trabalhadores, a transição do Projecto Luó para a Lunhinga não observou plenamente os princípios da legislação laboral, nomeadamente no que se refere a indemnizações. Além disso, afirmam que os salários não foram ajustados ao longo dos anos, apesar do aumento do custo de vida e da inflação.
Em 2024, a direcção da empresa implementou medidas para conter custos operacionais, incluindo a suspensão de contrato de 102 trabalhadores durante seis meses e a redução salarial para os restantes, com cortes entre 5% e 55%, dependendo das escalas salariais. Essas medidas, segundo a empresa, visavam garantir a continuidade das operações, com a promessa de reposição dos valores descontados num período de 18 meses, caso a situação económica se estabilizasse.
Os trabalhadores destacaram também atrasos nos pagamentos de salários, incluindo o 13.º mês e o subsídio de férias, direitos previstos na legislação laboral. Por outro lado, apelaram para que se considerem alternativas ao encerramento, como a busca de financiamento junto a instituições bancárias ou parcerias com empresas fornecedoras de equipamentos.
A governadora da Lunda-Norte foi solicitada a intervir para encontrar uma solução que permita manter os postos de trabalho e proteger os direitos dos trabalhadores. Segundo os apelos, o encerramento da mina poderá agravar o desemprego na província, afectando directamente a subsistência de centenas de famílias.
A situação permanece em aberto, aguardando-se uma possível resolução que concilie os interesses da empresa, dos trabalhadores e das comunidades afectadas.
