O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou uma medida significativa para aliviar a pressão sobre a escassez de divisas no país. Segundo a instituição, o Tesouro Nacional disponibilizará aos bancos comerciais um total de 300 milhões de dólares (278 milhões de euros) na próxima quarta-feira. Além disso, os bancos terão a opção de recorrer à Facilidade de Cedência de Liquidez, com uma maturidade de sete dias, desde que tenham operações de mercado aberto junto ao BNA a vencer dentro desse período.
Entretanto, a análise do político Tiago Soares aponta para uma crise crónica no sistema financeiro angolano, especialmente no que diz respeito à falta de divisas. Para Soares, a raiz do problema reside nas despesas primárias, sujeitas a um teto, e nas desonerações fiscais concedidas pelo BNA, que não têm sido contrabalançadas de forma eficaz pela economia. “O Banco Nacional é um banco público e deve ser fiscalizado, ter o controle social, transparência e prestação de contas” disse.
“O fim da crise das divisas não é apenas a injecção de mais moedas estrangeiras, mas também deveria ser a origem da moeda estrangeira e a valorização do Kwanza, tornando-o numa moeda ultra competitiva em relação ao Dólar e ao Euro, como parte dos bancos comerciais e não uma intervenção directa do BNA. Também não pode haver um monopólio de alguns bancos comerciais, que depois podem causar um curto-circuito ao mercado e à própria economia, concentrando as divisas, o controle e o planeamento das divisas arrecadadas a partir do Banco Nacional”, salientou.
Soares critica o modelo actual, que, segundo ele, nunca funcionou perfeitamente e não parece oferecer soluções viáveis para a crise em questão. Defende a necessidade de uma abordagem mais equilibrada e administrativa na distribuição e aquisição de divisas, sugerindo uma liberação proporcional do Kwanza, Dólar e Euro e um modelo mais consistente para a operação dos bancos comerciais junto ao BNA.
