A empresa Transporte Colectivo Urbano de Luanda (TCUL) está a recrutar 150 motoristas para integrar o seu quadro de pessoal, num processo de candidaturas aberto desde o dia 19 e que decorre até 31 do corrente mês.
Segundo os requisitos, os candidatos devem possuir carta de condução pesada profissional, habilitação mínima à 9.ª classe e idade compreendida entre 25 e 45 anos.
No entanto, trabalhadores da TCUL manifestaram surpresa com a iniciativa, alegando que a empresa enfrenta carência de autocarros em circulação e problemas laborais por resolver. Recordam ainda que, recentemente, mais de 20 cobradores foram formados para a categoria de motoristas, sem que tenham recebido esclarecimentos sobre as suas reivindicações pendentes.
O primeiro secretário da TCUL da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), José António Panzo, afirmou que há dias em que motoristas e cobradores não exercem as suas funções por falta de viaturas, questionando a contratação de novos profissionais.
Uma fonte da direcção da empresa, que preferiu o anonimato, adiantou que a TCUL Executiva deverá reforçar a frota de autocarros nos próximos dias. Contactada, a direcção da empresa prometeu pronunciar-se oportunamente.
Vale recordar que, em Junho, a TCUL esteve prestes a paralisar os serviços devido a atrasos salariais e falta de pagamento de subsídios de férias. A greve foi suspensa após uma reunião entre o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, a direcção da empresa e os sindicatos, tendo a entidade patronal prometido regularizar as pendências.
De acordo com informações apuradas pelo Novo Jornal, os salários em atraso e subsídios foram pagos no final de Junho, mas o ordenado de Julho apenas foi liquidado esta semana, após nova ameaça de greve. Os trabalhadores temem agora que os vencimentos de Agosto não sejam pagos nos prazos habituais, devido às recorrentes dificuldades financeiras da empresa.
