Tchizé dos Santos considera impossível a bicefalia política em Angola

A empresária e política Tchizé dos Santos afirmou, recentemente, que a bicefalia política é impraticável em Angola, defendendo que o poder efectivo no país reside exclusivamente no Presidente da República, sobretudo quando este pertence ao MPLA.

Em declarações difundidas através das redes sociais, Tchizé dos Santos considerou ingénua a ideia de que o alargamento do Comité Central do MPLA possa permitir ao actual líder do partido manter o controlo simultâneo do partido e do Estado até 2032. Segundo a comentadora, quem exerce o cargo de Presidente da República acaba, inevitavelmente, por controlar o partido e as suas estruturas.

A comentadora sustenta que, uma vez eleito, o Chefe de Estado enfrenta pressões internas do próprio Comité Central e da sociedade para assumir plenamente a liderança política, rejeitando qualquer modelo de separação entre a presidência do partido e a presidência da República.

Tchizé dos Santos sublinhou que a cultura política angolana assenta na centralidade do poder presidencial, acrescentando que “quem manda em Angola é quem tem a caneta na mão”, numa referência à capacidade de nomear cargos e distribuir responsabilidades governativas.

Segundo a empresária e política, a classe política angolana age, em grande medida, de forma oportunista, orientando a sua lealdade para quem detém o poder efectivo, visando cargos, estatuto social e benefícios materiais.

Tchizé destacou ainda que, após a escolha de um novo candidato presidencial, o foco político desloca-se automaticamente para essa figura, considerada como o futuro centro de poder, deixando o actual líder partidário progressivamente isolado.

A comentadora defendeu, igualmente, que o próximo Presidente da República tenderá a concentrar em si o controlo do parlamento e do partido, de modo a garantir estabilidade governativa e eficácia na aprovação das políticas públicas.

Apesar das críticas, Tchizé dos Santos afirmou ser contra perseguições políticas, defendendo que a alternância de poder não deve transformar-se num ciclo de vingança e apelando à preservação da coesão interna do partido no poder.

 

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