A empresária e ex-deputada Tchizé dos Santos manifestou-se recentemente, através de grupos de WhatsApp, sobre questões políticas e económicas do país, apontando críticas à governação do Presidente João Lourenço. Segundo Tchizé, há uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública de assuntos relevantes, como o alegado desvio de 7 mil milhões de dólares na Administração Geral Tributária (AGT) e a recente demissão do presidente do Conselho de Administração da instituição.
“A ministra das Finanças continua no cargo, apenas anunciou uma ‘limpeza’, mas, num país normal, o responsável pelo pelouro teria que apresentar a sua demissão”, afirmou, referindo-se à continuidade da ministra Vera Daves.
A empresária também criticou a nomeação do novo presidente da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), feita pelo Presidente João Lourenço. Para Tchizé, esta decisão contradiz o discurso do chefe de Estado sobre nepotismo.
Outro ponto abordado por Tchizé dos Santos foi o debate sobre mérito e privilégios na ascensão profissional em Angola. A ex-deputada defendeu que a sua trajectória não foi apenas resultado do facto de ser filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, destacando a sua formação académica e experiência profissional.
“Queimei pestanas, estudei, falo cinco línguas fluentemente e nunca precisei de um ‘namorado rico’ ou de me envolver com generais para subir na vida”, afirmou, comparando a sua experiência com a de outras mulheres angolanas que, segundo ela, alcançaram posições por mérito próprio.
Tchizé mencionou exemplos de ex-Misses e comunicadoras que, na sua visão, construíram carreiras sem depender exclusivamente de ligações familiares ou políticas.
No áudio, Tchizé dos Santos incentivou as jovens angolanas a priorizarem a educação e a formação profissional. “Se tiverem um namorado que vos possa ajudar, não peçam um iPhone, peçam dinheiro para as propinas”, aconselhou, destacando a importância do domínio de línguas estrangeiras e da qualificação para o mercado de trabalho.
Por fim, voltou a frisar a necessidade de manter o foco nos temas estruturantes do país. “Queremos saber quanto tempo a ministra das Finanças vai aguentar nesse cargo sem conseguir controlar o seu próprio ministério”, concluiu.
