A Presidente da Tanzânia, Samia Hassan Suluhu, está a gerar forte indignação depois de justificar as mortes ocorridas durante os protestos pós-eleitorais. Segundo ela, a força usada pelas forças de segurança foi “necessária” para travar aquilo que descreveu como tentativa de “derrubar o governo”.
Durante a semana das eleições, o Executivo cortou a internet, impôs toque de recolher e restringiu a imprensa, o que faz com que até hoje não se saiba ao certo quantas pessoas foram mortas. Organizações civis dizem que a maioria dos abusos aconteceu no período em que o país ficou praticamente “às escuras”.
De acordo com o vídeo divulgado pela CNN, no seu pronunciamento, Samia afirmou que muitos jovens foram pagos para ir às ruas e que outros “apenas seguiram o grupo”, acrescentando que o Estado tem a obrigação de usar força proporcional.
“O governo jurou proteger o país, os cidadãos e os bens. Quando dizem que usamos força excessiva, qual seria a força mínima? Era para esperarmos que conseguissem derrubar o governo?”, questionou a Presidente.
As declarações foram vistas como frias e distantes da realidade por muitos tanzanianos, que dizem que a Presidente não reconhece as preocupações legítimas da juventude e está a equiparar danos materiais a vidas humanas.
A oposição acusa Samia de tentar normalizar a repressão e de continuar a sufocar a sociedade civil e a liberdade de imprensa.
