Entre mais promessas e a apresentação sobre o que o nosso Presidente considera ser o real “Estado da Nação”, no enfastioso discurso, saltou-me à vista as “boas intenções” que o Executivo diz ter para com as mulheres. Facto que levou João Lourenço a reconhecer a competência deste gênero, durante quase um minuto das 3 horas de discurso na Assembleia Nacional.
Aos deputados e à nação inteira, o Chefe de Estado não poupou elogios e quase levou-nos também aos prantos ao afirmar que “As mulheres do nosso país já não têm nada a provar quanto à sua capacidade e quanto à sua importância na sociedade.
E para disfarçar o discurso da mesmice, o Presidente da República prometeu continuar a incentivar esta visão, com iniciativas como o Prémio Nacional Mulher de Mérito.
Para algumas, as palavras do Presidente soaram como um hino de reconhecimento à coragem e persistência das mulheres angolanas, mas para outras, a dedicatória às mulheres ecoou como um balde de hipocrisia.
Houve mesmo quem perguntou “sobre quais mulheres o Chefe da Nação se referia?” As que são sequestradas, estupradas e assassinadas sob olhar silencioso das autoridades, que ainda têm a audácia de interromper vigílias a favor do terror que as mulheres têm passado?
Ou às mulheres zungueiras que sofrem agressões enquanto procuram sustento para os seus filhos?
Será que o Presidente da República referia-se às mulheres que chegam a ser mortas por bala perdida ou apontada pelos nossos agentes, sem que alguém do Executivo se dê ao trabalho de condenar impetuosamente?
Ou ainda João Lourenço se referia à sua própria adjunta que ficou sem os direitos de exercer algum poder até mesmo na ausência do Chefe de Estado e foi reduzida como diria JJ Hangalo em “mulher despede o Presidente da República no aeroporto”?
Talvez o gesto de João Lourenço seja humano, talvez demonstre compromisso com as mulheres, talvez seja para inspirar todo o aparelho do Estado sobre a necessidade de transformar palavras em ações, talvez seja um lembrete de que a inclusão não é caridade, talvez, talvez, talvez ….
E é precisamente por isso que
“Talvez sejamos respeitadas, reconhecidas pela sociedade como ansea o Chefe do Executivo, mas hoje não”
Por: Ana Jenário
