O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), o Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA-Angola) e a Comissão da Carteira e Ética (CCE) manifestaram, este sábado, preocupação com as recentes detenções de jornalistas pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), por alegada ligação a actos de terrorismo, promoção de manifestações e pilhagem.
Em declarações à imprensa, o secretário-geral do SJA, Pedro Miguel, informou que os profissionais detidos terão acompanhamento jurídico assegurado por advogados contratados pelo sindicato e parceiros.
Pedro Miguel referiu que a situação está a ser acompanhada com atenção, sublinhando ser prematuro tirar conclusões sobre as acusações apresentadas. “Só os advogados poderão esclarecer o que se passa, porque, até ao momento, são apenas suspeições”, afirmou, apelando à calma da classe e exortando os jornalistas a continuarem a exercer as suas funções com normalidade.
Por seu turno, a presidente da Comissão da Carteira e Ética, Luísa Rogeiro, disse que a instituição acompanha com apreensão as detenções e irá trabalhar com o SJA e o MISA-Angola para apurar a situação, reiterando apoio aos profissionais detidos.
Também o presidente do MISA-Angola, André Mussamo, manifestou solidariedade aos jornalistas, considerando que a natureza da actividade pode expor os profissionais a situações complexas, mas afastou a possibilidade de envolvimento da classe em crimes de terrorismo.
As detenções, segundo o SIC, resultam de uma investigação em curso que aponta para a participação directa dos jornalistas nos factos em apuração. Entre os detidos estão Carlos Tomé, da Televisão Pública de Angola (TPA), e Alfredo Bumba, do semanário económico Expansão, ambos acusados de crimes de associação criminosa, falsificação de documentos, terrorismo e financiamento ao terrorismo.
De acordo com informações disponíveis, Alfredo Bumba é igualmente fundador do Centro Educacional Paz e Bem (CEPB), localizado no município do Kilamba Kiaxi, instituição que há mais de uma década se dedica à alfabetização de crianças fora do sistema de ensino.
