Alguém já notou que, nos últimos 23 anos em Angola, está cada vez mais difícil ver uma pomba branca voando ou pousando em algum lugar? Ou seja, quando foi a última vez que viu uma pomba, seja ela branca ou não?
Será que alguém já notou que, hoje em dia, poucas famílias têm mantido o velho hábito de criar pombas em casa?
Pois, entenda que nessas questões, leva-nos a refletir acerca da pouca aparição de pombas brancas, que antes era com bastante frequência vê-las voando e pousando no teto das nossas casas.
Este fenómeno da redução ou da pouca aparição desta espécie de ave, que ultimamente tem estado a decorrer, pode ser caracterizado como um sinal da diminuição ou mesmo falta de estabilidade e perda da verdadeira paz de espírito no seio da família angolana, que, aos poucos, essa espécie de ave em Angola poderá entrar em extinção.
“Pois, percebam que a pomba (branca) é considerada simbolicamente como ave da PAZ.”
Ora veja, a pomba é uma espécie de ave tão mansa, que dificilmente permanece:
– Onde não reside a estabilidade, felicidade e
a segurança, principalmente na capoeira onde abastecem pouca ração.
– Onde não há harmonia e a verdadeira reconciliação entre as pessoas.
– Onde reina o perigo, ameaça, a turbulência, a diabolização, a traição, agitação e a perseguição, principalmente entre os irmãos da mesma família.
– Onde a miséria e a fome são consideradas relativas, a pomba foge para não ser a próxima vítima a terminar na panela de quem não relativiza a fome.
– Mas onde houver ambiente de convívio calmo e harmonioso, de irmandade, partilha e solidariedade, a pomba permanece, sendo considerada simbolicamente como uma ave da paz.
Pois, sem a verdadeira paz no espírito, dificilmente alguém consegue reproduzir ou criar e manter a pomba (paz) no mesmo lugar.
Por mais que alguém seja denominado arquiteto da paz ou capitão, sem ter ou viver a paz de espírito, jamais conseguirá produzir, manter e dar a verdadeira paz para os outros.
“Pois, ninguém dá o que não tem.”
Hoje parece incrível, a cada ano que passa, dá para sentir e ver no rosto e na realidade que cada angolano sobrevive, e na perda de esperança de melhoria, a mudança de comportamento pode comprometer, reduzir ou diminuir os efeitos benéficos e os resultados da conquista da paz, que foi tão almejada por muitos. E, se não vigiarmos, um dia podemos perdê-la.
Reflexões do Mupess
