O jovem político e académico Ndinga de Deus realçou, na sua mais recente obra literária intitulada A Democracia no Inferno, o papel valioso de Adalberto Costa Júnior (ACJ) no cenário político e social angolano, considerando-o uma figura imprescindível para a oposição democrática e a promoção da alternância política no país.
Segundo o autor, a história recente de Angola demonstra que os povos são moldados não apenas pelas instituições, mas também pelas figuras que encarnam o espírito da mudança. “Se não existisse Adalberto Costa Júnior, a oposição democrática em Angola estaria mergulhada numa encruzilhada mais profunda e o regime do MPLA encontraria menos resistência política e social”, frisou.
Do ponto de vista jurídico-político, Ndinga de Deus sublinha que a UNITA teria permanecido sob lideranças excessivamente conciliadoras, incapazes de transformar a vontade popular em energia cívica. A alternância democrática, hoje reivindicada com firmeza pela juventude e pela sociedade civil, teria sido reduzida a um exercício retórico sem impacto prático.
O autor acrescenta que, sem ACJ, o direito de manifestação estaria ainda mais fragilizado, pois foi sob a sua liderança que se ergueram vozes a denunciar a violência policial, a manipulação institucional e a partidarização do Estado. “Ele deu rosto às liberdades previstas na Constituição, mas frequentemente violadas na prática”, disse.
Ndinga de Deus destacou ainda que, no plano militante, a juventude urbana estaria órfã de um líder que fala a sua linguagem, denuncia a corrupção e transforma a indignação popular em programa político. Sem ACJ, muitos jovens permaneceriam afastados da política, descrentes e resignados, aceitando a hegemonia do MPLA como um destino inevitável.
O autor conclui que refletir sobre a hipótese da não existência de Adalberto Costa Júnior é perceber que ele se tornou um património democrático, não apenas da UNITA, mas de Angola, representando a ponte entre a luta histórica de Jonas Savimbi e o sonho de um futuro de liberdade e justiça social.
“Se ele não existisse, seria necessário inventá-lo — porque todo o povo que anseia pela democracia precisa de um símbolo, um porta-voz e um combatente”, finalizou Ndinga de Deus.
