As perspectivas do sector petrolífero angolano para 2025 apontam para um reforço da estabilidade e da capacidade produtiva, impulsionadas pela atribuição de novas concessões, celebração de acordos de exploração e continuidade das reformas estruturais conduzidas pelo Executivo.
A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) mantém activo o seu programa de licenciamento, tendo atribuído mais de 50 concessões desde 2019. A instituição projeta alcançar 60 até ao final de 2025, combinando concursos públicos com negociações directas, modelo que tem facilitado a avaliação das oportunidades de investimento no segmento upstream.
Em fóruns regionais, operadores internacionais têm destacado a melhoria dos termos fiscais e a simplificação dos processos, factores que têm estimulado o interesse tanto em blocos fronteira como em activos em maturidade. Segundo analistas, estas actualizações contribuem para consolidar um conjunto de projectos capaz de sustentar a produção a longo prazo.
A confiança do mercado foi igualmente reforçada com a assinatura de novos acordos de exploração. No final de Outubro, a Shell iniciou negociações exclusivas para áreas situadas nos Blocos 19, 34 e 35, incluindo zonas em águas ultraprofundas, ampliando a sua presença e confirmando o potencial geológico da bacia angolana.
Dados recentes da OPEP indicam que Angola tem mantido a produção em torno de 1,12 milhões de barris por dia. Informações da ANPG referentes a Outubro apontam para mais de 33 milhões de barris produzidos, valores alinhados com as metas do Governo de manter níveis acima de um milhão de barris diários enquanto novos projectos avançam.
Desde 2019, o sector tem registado avanços institucionais com a separação entre as funções de concessionária e operadora nacional, medida que melhorou os mecanismos de decisão e reforçou a confiança dos investidores. O Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás prossegue igualmente com revisões no quadro regulatório dos segmentos de gás, refinação e petroquímica.
No domínio macroeconómico, o sector petrolífero mantém-se determinante para o equilíbrio das contas públicas. Projecções inscritas no anteprojecto do OGE indicam crescimento na ordem de 4,2% para 2026, sustentado pela estabilização da produção e pelas reformas económicas em curso. O Executivo tem também reforçado o uso do mercado interno para operações de financiamento, procurando reduzir a exposição a choques externos.
No longo prazo, Angola aposta no aproveitamento do gás natural, associado e não associado, para projectos de LNG, produção de energia e expansão industrial. A ANPG sublinha que esta estratégia visa garantir maior diversificação energética e competitividade económica.
As projecções para 2025 demonstram um sector mais robusto, com maior previsibilidade regulatória, carteira de projectos reforçada e renovado interesse dos investidores, factores que consolidam a posição de Angola entre os principais produtores africanos.
