Sector de seguros em Angola com taxa de penetração abaixo de 1% do PIB

A taxa de penetração de seguros em Angola mantém-se abaixo de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), um indicador que evidencia limitações actuais, mas também um elevado potencial de crescimento do sector.

A informação foi avançada segunda-feira, 27 de Abril, pela secretária de Estado para o Orçamento, Juciene de Sousa, durante a abertura da II edição do ciclo de conferências ARSEG Conecta, sob o lema “Conduta de Mercado: O pilar da confiança e transparência no sector de Seguros e de Fundos de Pensões”.

Na ocasião, a governante referiu que a densidade de seguros no país continua reduzida, situando-se abaixo de 50 dólares por habitante/ano, sublinhando que estes dados demonstram não apenas desafios, mas sobretudo oportunidades de expansão.

Segundo explicou, a conduta de mercado deve ser encarada como um factor essencial para o crescimento do sector, e não apenas como uma exigência regulatória. Acrescentou que esta abordagem torna-se ainda mais relevante num contexto de necessidade de alargamento da protecção das famílias, promoção da poupança de longo prazo e reforço da resiliência económica nacional.

Ao abordar o panorama internacional, Juciene de Sousa destacou que o sector segurador mundial ultrapassa actualmente sete biliões de dólares em prémios anuais, representando cerca de 6,8% do PIB global. Referiu ainda que os fundos de pensões gerem activos superiores a 55 biliões de dólares, desempenhando um papel determinante no financiamento das economias a longo prazo.

A responsável salientou que estes resultados são fruto de mercados onde existe confiança suficiente para que famílias e empresas assumam compromissos duradouros, mesmo sem retorno imediato.

Relativamente ao contexto africano, indicou que a taxa média de penetração de seguros varia entre 2% e 3% do PIB, reduzindo-se para cerca de 1% a 1,5% quando excluída a África do Sul, que apresenta níveis superiores a 12%.

Na região da SADC, acrescentou, persistem assimetrias significativas, com mercados mais desenvolvidos a coexistirem com outros ainda em fase inicial, caracterizados por baixa inclusão financeira e limitada cultura de seguro.

Por sua vez, a presidente do Conselho de Administração da ARSEG, Filomena Manjata, afirmou que, num mercado em consolidação como o angolano, a confiança constrói-se essencialmente na forma como as instituições interagem com os clientes.

A responsável destacou que dados recentes apontam para uma redução do volume de reclamações, embora persistam desafios ao nível da qualidade da informação prestada, clareza contratual e celeridade na regularização de sinistros.

Defendeu, por isso, uma actuação coordenada entre regulador, operadores e parceiros institucionais, com foco na protecção do consumidor e na melhoria contínua dos serviços.

O ARSEG Conecta é uma iniciativa que visa promover o diálogo aberto, a reflexão estratégica e a partilha de boas práticas no sector dos seguros e fundos de pensões em Angola.

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