Relatório da UNITA denuncia mais de 90 mortos nos protestos de Julho de 2025 durante greve dos taxistas

A UNITA divulgou, esta sexta-feira (13), em Luanda, um relatório sobre a situação dos Direitos Humanos em Angola, no qual afirma que os protestos de Julho de 2025, ocorridos no contexto da greve dos taxistas, provocaram mais de 90 mortos, contrariando os dados oficiais da Polícia Nacional, que apontavam para cerca de 30 vítimas mortais.

Segundo o relatório, a província de Luanda foi a mais afectada, com 47 óbitos, seguindo-se Malanje, com 20, Huambo, com oito, e Cuando Cubango, com nove mortes. A UNITA sustenta que as vítimas resultaram do uso excessivo da força por parte das forças de segurança durante as operações de reposição da ordem pública.

O relatório resulta de um trabalho de análise desenvolvido ao longo de vários anos, com especial incidência no período compreendido entre 2018 e 2025, correspondente ao mandato do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, enquanto Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas.

Relatório da UNITA denuncia mais de 90 mortos nos protestos de Junho de 2025 durante greve dos taxistas
Distribuição das mortes por província/localidade

De acordo com os dados recolhidos pelas equipas de investigação do partido, neste período terão ocorrido 362 mortes associadas a alegados casos de violência policial em diferentes pontos do país.

Ao apresentar o documento, o primeiro-ministro do “Governo Sombra” da UNITA, Raul Tati, afirmou que os números correspondem a cidadãos concretos e identificados, sublinhando que “não se trata de simples estatísticas, mas de angolanos com nomes, histórias e famílias, devidamente documentados”.

O dirigente esclareceu que os dados foram recolhidos com critérios de verificação, enquadramento jurídico e localização temporal, afastando qualquer lógica de exploração sensacionalista dos factos. Segundo Raul Tati, a análise revela tendências preocupantes, como o uso excessivo da força, detenções arbitrárias, maus-tratos, mortes e execuções sumárias em contexto de actuação policial, bem como um défice recorrente de responsabilização institucional.

Para a UNITA, estes factos colocam sérios desafios à ordem constitucional angolana e ao cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado no domínio dos direitos humanos.

Raul Tati frisou que o relatório não visa promover instabilidade, mas contribuir para a transparência, o reconhecimento dos problemas e a responsabilização efectiva, considerados pilares essenciais para a paz duradoura e para o fortalecimento da democracia.

Segundo explicou, o documento foi produzido ao longo de quatro meses, com rigor técnico, boa-fé e observância das normas de documentação jornalística e política, visando fornecer um registo fiel dos factos e das suas consequências sociais.

A UNITA dirige igualmente um apelo à comunidade internacional, aos parceiros bilaterais e multilaterais e ao corpo diplomático acreditado em Angola, para um acompanhamento atento, equilibrado e informado da situação dos direitos humanos no país, baseado em factos verificáveis, diálogo construtivo e respeito pela soberania democrática.

O relatório pretende, segundo o partido, abrir um espaço de reflexão nacional e de diálogo responsável, interno e externo, sobre os acontecimentos de Julho de 2025 e sobre os padrões éticos e legais que devem nortear o exercício do poder em Angola, sublinhando que “não há paz verdadeira quando o medo substitui a confiança nas instituições”.

A UNITA reafirma, por fim, o seu compromisso histórico com a construção de uma Angola em que a autoridade do Estado se afirme pelo respeito à vida, à lei, à protecção dos cidadãos e ao reforço da confiança institucional.

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