“Em Angola, muitos activistas ficam muito tempo sem acção e só aparecem para organizar manifestações quando um caso ganha destaque na mídia”‘
Pedro Paka, defensor dos direitos humanos, alerta que esse comportamento transforma causas sérias em espetáculo, deixando muitas situações críticas sem atenção.
Segundo Paka, inúmeros casos de violações de direitos humanos acontecem diariamente nas comunidades, mas a maioria passa despercebida:
“Todos os dias, violações de direitos humanos acontecem nas nossas comunidades, mas a maioria fica calada porque sabe que não dará protagonismo, visibilidade ou dinheiro. Para muitos, causas ‘não virais’ não interessam”.
O ativista enfatiza que o verdadeiro compromisso com os direitos humanos não depende de holofotes.
“Defender direitos não pode depender de notoriedade. É preciso atuar todos os dias, mesmo quando ninguém está olhando”, acrescenta.
O fenômeno do “ativismo de ocasião” tem sido observado em várias regiões do país, principalmente em Luanda onde movimentos e organizações só se manifestam publicamente quando um caso ganha repercussão na mídia, deixando de lado situações que afetam diretamente comunidades vulneráveis.
Pedro Paka alerta que a coerência e a presença contínua devem ser a base do verdadeiro ativismo. Para ele, lutar pelos direitos humanos é um compromisso diário, que não pode depender de visibilidade, notoriedade ou ganhos pessoais.
