Pré-candidatura de Higino Carneiro acirra tensões internas no MPLA 

A intenção assumida de Higino Carneiro em candidatar-se à presidência do MPLA está a provocar uma crescente tensão no seio do partido no poder, evidenciando divisões internas profundas entre apoiantes de João Lourenço e sectores que contestam a sua liderança. A informação consta da edição nº 1513 do África Monitor, de 17 de Julho de 2025.

Segundo a publicação, Higino Carneiro apresentou a sua pré-candidatura à revelia do Presidente do MPLA e da República, João Lourenço, desafiando pressões internas que visavam travar a sua ascensão. O antigo governante, historicamente ligado ao ex-Presidente José Eduardo dos Santos, tem feito críticas públicas à falta de contraditório interno no partido e ao culto da bajulação, prometendo reformas organizacionais com eleições democráticas em todos os escalões.

A sua candidatura é vista como uma ameaça ao actual equilíbrio interno do partido e é interpretada como reflexo de uma ala insatisfeita, composta por figuras afastadas do círculo de confiança de Lourenço. Entre os seus apoiantes, refere o África Monitor, estão destacados generais como França Ndalu, Eusébio Teixeira e Mateus Ângelo “Vietname”.

Fontes do mesmo relatório indicam que a candidatura de Higino, embora sem força real para vencer, poderá funcionar como catalisador para outros nomes com maior influência e aceitação interna. O gesto de Higino estaria a ser analisado como um possível precedente de contestação aberta à continuidade de João Lourenço na liderança do MPLA após o término do seu mandato presidencial.

A publicação revela ainda que, enquanto enfrenta dissidências internas, o regime de João Lourenço mantém-se empenhado em enfraquecer a oposição, sobretudo a UNITA, promovendo divisões internas e pressão política sobre os preparativos para o congresso do partido liderado por Adalberto Costa Júnior, previsto para Dezembro de 2025. O objectivo seria, segundo o África Monitor, limitar a capacidade político-eleitoral da UNITA nas eleições gerais de 2027.

O ambiente tenso é seguido com atenção por círculos diplomáticos, que observam com preocupação os sinais de endurecimento institucional, restrição ao diálogo com a oposição e sinais de manipulação das regras do jogo político.

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