Polícia dispersa manifestação contra subida do preço do gasóleo e dos transportes em Luanda

A Polícia Nacional dispersou, este sábado (12), uma manifestação em Luanda que visava contestar o aumento das tarifas do gasóleo e dos transportes públicos e privados. A acção, que decorreu na capital do país, culminou em confrontos entre manifestantes e efectivos policiais, havendo registo de feridos e relatos de uso de gás lacrimogéneo, porretes e cães, avançóu à RFI.

A marcha, organizada por jovens, membros da sociedade civil, estudantes e representantes de partidos políticos da oposição, visava expressar descontentamento face ao recente reajuste das tarifas do transporte colectivo urbano, que passou a custar 300 kwanzas nos táxis e 200 nos autocarros, consequência da subida do preço do gasóleo para 400 kwanzas por litro.

Apesar de uma comunicação prévia da Polícia Nacional, na noite de sexta-feira (11), assegurando que a manifestação seria acompanhada pelas autoridades, a marcha foi interrompida de forma coerciva.

Pedro Coleto, um dos participantes, criticou a actuação da corporação:

“Não percebo por que razão reprimem o povo que apenas quer expressar o seu descontentamento. Esta repressão afecta directamente as famílias angolanas.”

Também se manifestou sobre o incidente o deputado da UNITA, Paulo Faria, presidente da 7.ª Comissão da Assembleia Nacional para os Assuntos Religiosos, Comunicação Social, Juventude e Desporto.

“Na Assembleia foi recentemente aprovada, na especialidade, a proposta de Lei sobre o Regime Disciplinar da Polícia Nacional. Mas hoje a corporação mostrou, mais uma vez, que não está comprometida com o cumprimento da lei nem com os direitos fundamentais, mas sim com ordens superiores”, afirmou.

Segundo o parlamentar, a actuação dos efectivos demonstra uma alegada instrumentalização da Polícia Nacional ao serviço do partido no poder.

Até ao fecho desta edição, não havia comunicado oficial da Polícia Nacional sobre os incidentes.

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