PAD manifesta preocupação com eleições no Uganda e apela a auditoria internacional

A Plataforma para os Democratas Africanos (PAD) manifestou, no dia 15 de Janeiro de 2026, a sua profunda preocupação com o processo eleitoral realizado no Uganda, considerando que o pleito decorreu num ambiente marcado por práticas autoritárias, restrições às liberdades fundamentais e alegações graves de fraude eleitoral.

Em comunicado, a PAD refere que as eleições colocaram os ugandeses perante duas visões distintas de futuro: a continuidade do poder, representada pelo Presidente Yoweri Museveni, de 81 anos, no cargo há cerca de quatro décadas e candidato a um sétimo mandato, e a alternativa de mudança, personificada por Bobi Wine, nome artístico de Robert Kyagulanyi Ssentamu, de 43 anos.

Segundo a organização, a campanha da oposição foi alvo de intimidação sistemática, incluindo uso excessivo da força, detenções arbitrárias, agressões físicas e impedimentos à mobilização política, enquanto a candidatura do incumbente terá beneficiado do uso de recursos do Estado e de um forte aparato de segurança.

A PAD denuncia ainda que o processo eleitoral seguiu um “roteiro autoritário”, com o corte do acesso à internet na véspera da votação, limitando a fiscalização independente, a contagem paralela dos votos e a divulgação de informações a partir das mais de 50 mil assembleias de voto em todo o país. Acresce, segundo o comunicado, a presença massiva das forças de segurança nos locais de votação, alegadamente impedindo o acesso de delegados da oposição.

No final do dia eleitoral, e em meio a denúncias de enchimento de urnas e manipulação dos resultados, foi reportado que forças de segurança cercaram e invadiram a residência de Bobi Wine, prática semelhante à ocorrida nas eleições de 2021. A rápida proclamação de Yoweri Museveni como vencedor, associada à ausência de transparência no processo, é igualmente questionada pela organização.

A PAD sublinha que o desligamento da internet durante processos eleitorais é um indicador recorrente de tentativas de ocultação de irregularidades, com consequências graves para os direitos humanos e a credibilidade democrática.

O comunicado alerta ainda que o autoritarismo compromete o futuro da juventude africana, destacando que mais de 85 por cento da população ugandesa, estimada em cerca de 50 milhões de habitantes, tem menos de 25 anos. Apesar disso, o rendimento per capita do país permanece abaixo da média continental, reflectindo, segundo a PAD, os impactos negativos da má governação e do défice democrático.

A organização critica igualmente a postura da comunidade internacional, acusando-a de tolerar práticas antidemocráticas em África, apesar dos discursos recorrentes em defesa da democracia e do Estado de Direito.

Face ao exposto, a Plataforma para os Democratas Africanos apela à realização de uma auditoria internacional independente às eleições do Uganda e da Tanzânia, com vista à identificação de eventuais irregularidades e à definição de medidas correctivas. A PAD alerta que a ausência de uma acção firme poderá perpetuar ciclos de impunidade, violência política e empobrecimento das populações.

O comunicado é subscrito por diversas personalidades políticas, académicas e activistas africanos e internacionais, entre os quais Adalberto Costa Júnior, presidente da UNITA (Angola), Ian Khama, antigo Presidente do Botswana, Tendai Biti, ex-ministro das Finanças do Zimbabwe, e Viktor Yushchenko, antigo Presidente da Ucrânia, entre outros.

Prefira o Hold On Angola no Google

Licença: Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)
Os conteúdos editoriais abrangidos por esta política podem ser republicados gratuitamente, desde que sejam respeitadas as condições de atribuição.

Artigos Relacionados

A carregar artigos relacionados...