A vice-presidente do MPLA, Luísa, Damião, disse esta segunda-feira, 15, em Luanda, que todos os militantes devem estar alinhados em relação aos grandes temas nacionais, os instrumentos de governação do Executivo, com realce para os do âmbito da gestão económica e financeira, bem como o posicionamento do Estado angolano em relação à sua política interna e externa.
“Uma visão política e ideológica que se quer assertiva, no momento, e deve permitir aos dirigentes e quadros do partido um constante compromisso com a satisfação das necessidades sociais dos cidadãos, através da adopção de uma postura que assegure maior empatia política e probidade na gestão da coisa pública”, disse Luísa Damião, na abertura do curso avançado de formação política-ideológica para quadros e dirigentes do seu partido, que teve início hoje em Luanda.
“A visão programática deste evento leva-nos a crer que o partido tem aqui, uma vez mais, uma soberana oportunidade de abordar, de discutir e de reflectir sobre diferentes assuntos de grande relevância para a vida interna do partido, para a acção política e ideológica e não só”, acrescentou.
Referiu que o sucesso de uma organização política, na arena competitiva, não depende apenas desta possuir recursos, oportunidades, pontos fortes ou um bom plano estratégico, mas da forma como esses planos vão ser operacionalizados, através quadros dirigentes do MPLA.
“Os nossos quadros, modéstia à parte, são capazes, porque o partido sempre se preocupou com o seu treinamento”, afirmou.
“Para se vencer um adversário é preciso desequilibrá-lo de forma estratégica. E a melhor forma de o fazer, é ter quadros altamente qualificados”, referiu Luísa Damião.
Na sua opinião, quadro que não cumpre com os princípios e valores do MPLA, não é do MPLA.
“Estou convicta que os saberes a serem aqui partilhados, pela sua transversalidade, deverão, certamente, impactar o dia-a-dia da acção política partidária do MPLA, uma vez aplicados, permitirão melhorar o trabalho com as bases do nosso Partido, assegurando melhores resultados no campo político, sobretudo no desempenho mobilizativo e na combatividade política”, acrescentou.
Segundo ela, a problemática da visão ideológica, sobretudo no contexto dos novos públicos políticos, demanda uma acção partidária mais consentânea e de grande ascetismo político, que deve, a todo momento, ser completado por uma “aguçada capacidade” interpretativa da realidade social e de readaptação constante de conceitos, face à instabilidade do carácter social e da identidade política inerentes ao actual contexto.
“A análise do fenómeno político tem demonstrado que o campo da política enfrenta, na actualidade, um grande revés paradigmático, sobretudo na dimensão da política partidária”, referiu.
Para Luísa Damião, a emergência de novas formas de activismo político e social vem permitindo a afirmação da chamada “subpolítica” de modo bastante acutilante e persuasivo e, com ela, importantes modificações e adaptações tendem a ocorrer, a ganhar força e adeptos, inclusive no domínio das relações diplomáticas e internacionais.
“Neste sentido, as estruturas do nosso partido precisam de continuar a apostar, nas suas referências axiológicas, por formas a assegurar um quadro ideológico que permita, ao mesmo tempo, continuar a fortalecer o Partido face à conjuntura actual e conservar a sua matriz ideológica”, disse.
Referiu que a chave do sucesso político e a dinamização da acção partidária, continua a residir na capacidade funcional dos modelos de organização que adoptam e da capacidade de continuar a aprender com a nova realidade.
“É importante, por isso, que ao nível do funcionamento da nossa máquina partidária continuemos a aprimorar novas formas de organização política, a estudar as principais temáticas inerentes a gestão económica, a liderança e a governação e outras temáticas que assegurem maior identidade e simpatia política ao MPLA”, notou.
Adiantou que o curso avançado de formação política-ideológica é uma oportunidade para a construção de paradigmas alternativos, que sejam válidos para as necessidades políticas partidárias do momento.
“Já que a variedade e transversalidade dos temas agendados permitem, de antemão, prever a possibilidade que se abre para a construção de uma nova cosmogonia política, assente em paradigmas ideológicos que abarcam as principais aspirações dos cidadãos”, notou.
Pediu aos quadros do seu partido que olhem com urgência para a explosão demográfica no continente, o surgimento do populismo e das redes sociais, a questão dos valores da direita, da esquerda e das suas estratégias de mobilização, bem como o novo cenário político e o lugar da comunicação e as suas dimensões. NJ
