A empresária e ex-deputada Tchizé dos Santos contestou, num áudio divulgado num grupo de WhatsApp, a narrativa de que o ex-presidente José Eduardo dos Santos teria humilhado João Lourenço por este manifestar intenção de concorrer à presidência de Angola. Segundo Tchizé, Lourenço sempre ocupou cargos de relevância dentro do MPLA e nunca foi alvo de perseguição.
No áudio, Tchizé argumenta que, na época em que João Lourenço era secretário-geral do MPLA, essa posição era ocupada por indicação do presidente do partido. “Dizer que não se quer mais trabalhar com uma determinada pessoa não é perseguição ou humilhação, mas uma decisão estratégica”, afirmou. Ela comparou a situação à recente substituição de Luísa Damião da vice-presidência do MPLA.
A ex-deputada reforçou que João Lourenço foi mantido em cargos de destaque mesmo após deixar a secretaria-geral, tendo sido indicado vice-presidente da Assembleia Nacional. “Onde está a humilhação?”, questionou. Além disso, ela alegou que o ex-presidente José Eduardo dos Santos teria proporcionado oportunidades económicas que permitiram a Lourenço acumular riqueza.
Tchizé dos Santos também criticou João Lourenço por supostamente perseguir adversários dentro do MPLA, mencionando a sua própria suspensão do Comité Central do partido e a expulsão da Assembleia Nacional. “João Lourenço alguma vez foi suspenso do MPLA? Meu pai alguma vez propôs a sua suspensão ou expulsão? Não. Mas eu fui expulsa sob a sua liderança”, afirmou.
Ela ainda destacou que, durante o governo de José Eduardo dos Santos, militantes e deputados do MPLA não foram perseguidos por divergências políticas, apontando que, mesmo durante o conflito armado, combatentes foram reintegrados ao Parlamento sem retaliações.
A ex-deputada concluiu criticando o que considera ser um desrespeito à memória do seu pai e um desvio das prioridades do partido. “Quem defende a honra de pai morto são os filhos”, finalizou.
