O trio do fracasso da governação de João Lourenço – Ndinga de Deus

A governação de João Lourenço, apresentada como a promessa da mudança e da moralização do Estado, transformou-se num pesadelo político e social. O que era anunciado como “nova era” revelou-se, afinal, uma continuidade decadente do regime do MPLA, agora ainda mais marcado por três pilares inseparáveis: ilegitimidade, corrupção e incompetência.

1. Ilegitimidade

Legitimidade de um governo depende do consentimento popular expresso nas urnas de forma transparente. Em Angola, porém, as últimas eleições foram marcadas por graves denúncias de fraude, falta de independência da CNE e um sistema judicial capturado pelo partido no poder. Isso criou um governo fragilizado na sua base, sustentado mais pela manipulação institucional do que pela vontade soberana dos cidadãos.

João Lourenço governa sem mandato moral. Usurpou a vitória que cabia ao povo e transformou as instituições num escudo para proteger o poder ilegítimo do MPLA. É um presidente que não representa a maioria, mas apenas uma minoria privilegiada que sobrevive à custa da miséria do povo. A ilegitimidade do regime é, portanto, a raiz do fracasso nacional.

 

2. Corrupção

 

Numa análise profunda, a corrupção continua a ser o maior entrave ao desenvolvimento de Angola. O combate iniciado por João Lourenço foi seletivo e instrumental, transformando-se num espetáculo mediático. Casos como o de Isabel dos Santos foram usados como troféus, enquanto figuras centrais ligadas ao regime — como a Exalgina Gambôa juíza presidente do Tribunal de Contas, afastada por corrupção; Joel Leonardo, presidente do Tribunal Supremo, mergulhado em escândalos exagerados de corrupção e favoritismo judicial, e o grupo Omatapalo, beneficiado por contratos milionários continuam a provar que a corrupção não foi combatida, apenas redesenhada para beneficiar novos protagonistas.

É preciso dizer sem medo: a corrupção não acabou, apenas mudou de mãos. O regime de João Lourenço substituiu velhos saqueadores por novos ladrões. Os tribunais, em vez de templos da justiça, transformaram-se em covis de negociatas. A corrupção não é um acidente do sistema; ela é o sistema. Enquanto isso, o povo continua sem escolas dignas, sem hospitais funcionais, sem emprego e sem pão.

3. Incompetência

Incompetência da governação é visível em todos os setores. A economia segue dependente do petróleo, sem políticas de diversificação sérias. O desemprego juvenil atinge níveis alarmantes, a inflação destrói o poder de compra e os serviços sociais permanecem em ruínas. A ausência de visão estratégica confirma a incapacidade de conduzir Angola rumo ao desenvolvimento sustentável.

Esta incompetência não é apenas falha técnica: é crime político. João Lourenço prometeu prosperidade, mas entregou fome. Prometeu empregos, mas espalhou desemprego e desespero. Prometeu estabilidade, mas governou com arrogância e mediocridade. Um governo que não resolve a dor do povo é cúmplice do sofrimento coletivo. A incompetência do regime é a prova de que Angola está nas mãos de quem não sabe e não quer governar para todos

Portanto, o trio do fracasso — ilegitimidade, corrupção e incompetência — resume a governação de João Lourenço. Angola está refém de um regime sem legitimidade democrática, corroído pela corrupção e atolado na sua própria incompetência.

Este quadro confirma o colapso de um projeto de governação. Politicamente, é o sinal de que apenas a ação consciente e organizada do povo poderá romper este ciclo de decadência. Mais cedo ou mais tarde, a voz da revolta substituirá o silêncio imposto.

Por: Ndinga de Deus

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